A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 30/06/2021
No documentário O Dilema das Redes os produtores constroem uma narrativa ao redor dos algoritmos e seus impactos nos usuários. Essa reflexão é de suma importância na atualidade, pois plataformas como o Instagram e o YouTube, voltadas para o conteúdo audiovisual, tornaram-se hegemônicas ao ponto de confundirem a linha entre o real e o virtual. Por conta disso, a constante exposição a imagens manipuladas, pode causar malefícios à saúde mental, como o incentivo de transtornos alimentares e a sentimento de solidão.
Em primeira análise, é válido ressaltar a obra O Mito da Beleza, escrita por Naomi Wolf. Nesse livro, a autora estabelece uma correlação entre a pressão estética e transtornos alimentares, como anorexia e bulimia. Contudo, escrito no final do século XX, ainda não contava com a exposição massiva à padronização promovida pelas redes sociais, além da difusão de ferramentas como o fotoshop, frequentemente usado para “consertar imperfeições”. Dessa maneira, a intersecção desses fatores criou um ambiente ainda mais fértil para o desenvolvimento de transtornos ligados à aparência, pois as imagens compartilhadas são altamente retocadas para seguirem o padrão mercadológico.
Ademais, o conceito de sociedade do espetáculo, elaborado por Debord, foi extrapolado com o advento das redes sociais. Logo, em um mundo onde a supervalorização da dimensão visual é capaz de exercer grande influência, a criação de uma identidade virtual baseada em imagens de amizades, festas e viagens coloca os usuários como espectadores. Portanto, esse excesso de positividade cria uma atmosfera negativa ao redor do cotidiano comum, sem os cortes e ajustes da realidade online. Deixando assim, a solidão e o eterno desejo de uma vida mais condizente com o que é representado nas telas.
Assim, é possível concluir que a manipulação de imagens nas redes sociais tem impactos negativos na saúde mental, por meio da pressão estética e do isolamento. Dado isso, para reverter a situação é preciso desenvolver uma rede de apoio bem adaptada a esses problemas. Escolas, por exemplo, são um bom ambiente para a promoção de práticas sociais mais saudáveis, como conversas e debates, visto que na esfera públicas há maior presença de diversidade. Além disso, atendimento psicossocial deve ser fornecido pelo Governo, em todo país e independente de poder aquisitivo. Dessa forma, será possível criar mecanismos para minimizar os malefícios causados.