A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 03/07/2021
A Psicanálise, ramo médico criado por Sigmund Freud, importante pensador do século XIX, divide o cérebro humano em três áreas de atuação, que são moldadas, desde o nascimento, conforme as interações sociais. Dessa forma, na contemporaneidade, a manipulação da imagem nas redes sociais estimula a pressão social sobre os indivíduos, mediante a propagação de padrões idealizados e inalcansáveis na sociedade, além de corroborar para a superficialidade das interações sociais pela secundarização da realidade, fatores que determinam impasses relevantes à saúde mental no Brasil.
Em primeira análise, é conveniente examinar a relação da pressão social por padrões idealizados e inalcansáveis com a manipulação de imagens nas redes sociais. Sendo assim, o “American Way of Life”, ideologia estadunidense intensamente propagada após a II Guerra Mundial, disseminou modelos sociais vinculados a hábitos consumistas, impondo ideais que, ao não serem alcansados, inibem a inclusão do indivíduo na sociedade. Desse modo, é evidente que tal imposição ideológica afeta diretamente a estabilidade mental dos cidadãos, fato que permite a manipulação da auto-imagem, desconstruindo, assim, o bem-estar mental pelo não enquadramento nos referenciais hegemonizados pelas redes sociais e veículos de mídia.
Além disso, cabe analisar a interação da secundarização da realidade pela superficialidade das relações societárias com a manipulação da imagem nas redes sociais. Destarte, a Modernidade Líquida, tese do filósofo contemporâneo Zigmunt Bauman, propõe que, devido às novas dinâmicas tecnológicas e socioeconômicas, as conexões sociais basilares da sociedade tornaram-se fluidas e frágeis, aspecto que vulnerabiliza os indivíduos. Assim sendo, a efemeridade das estruturas fundamentais da sociedade propcia o desencanto individual com a realidade, fato que fomenta a construção de uma nação apática e anômica no quadro psicológico do país.
Posto isso, cabe a intervenção Estatal para mitigar os males mentais gerados pela manipulação da imagem nas redes sociais. Dessa maneira, convém ao Ministério da Saúde, junto ao Ministério da Educação, promover assistência à saúde mental dos cidadãos, mediante projetos conscientizadores que debatam sobre a influência midiática no bem-estar individual, por meio de canais de comunicação, como as redes sociais, por exemplo, com o fito de pôr fim à manipulação, alienação e imposição de padrões aos indivíduos. Ademais, assiste ao Ministério da Educação, fortalecer a base humana e social da realidade do convívio na sociedade, por meio de aulas conjuntas entre as Ciências Humanas, com o intuito de consolidar a valorização da realidade e solucionar impasses atrelados à saúde mental no Brasil, solidificando, então, a real vivência e bem-estar social coletivo.