A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 05/07/2021

Na série inglesa “Black Mirror”, no episódio “nosedive”, é retratada uma sociedade futurística na qual os direitos dos indivíduos são regulados pela popularidade dos mesmos nas redes sociais, o que leva as pessoas à darem uma enorme importância ao conteúdo que irão oferecer para os internautas. Analogamente, fora da ficção, a manipulação de imagem nas redes socias é um fator preocupante para a sociedade, pois, traz consigo malefícios para a saúde mental dos seus usuários. Dessa forma, é necessário analisar as raízes da problemática, que é intensificada pela imposição de padrões de beleza e pelo uso excessivo dos aplicativos.

Em primeiro lugar, observa-se, por parte da sociedade, o estabelecimento de padrões de beleza que por não serem presentes em todas as pessoas, geram insatisfação do indivíduo que não o possui, com a sua própria aparência podendo gerar problemas psicológicos. Nessa perspectiva, o filósofo francês Jean Baudrillard no seu livro “Simulacros e Simulação” adjetiva a atual sociedade como do simulacro, ou seja, um agrupamento que prefere a imagem ao invés da realidade, criando sempre uma representação não fidedigna de algo. Desse modo, a manipulação da imagem com o uso de filtros ou aplicativos de edição atua como um agente que intensifica a sociedade do simulacro a não aceitação da aparência por parte de muitos indivíduos que desenvolvem complicações referentes à saúde mental.

Por conseguinte, é evidente, que a maioria dos usuários de aplicativos não possuem limites e realizam o seu uso excessivo, direcionando várias horas do dia às redes sociais. Nesse sentido, o pesquisador Marc Prensky criou os conceitos de nativo digital (pessoas que nasceram com as tecnologias digitais presentes em sua vivência) e imigrante digital (nasceram um período anterior à invenção das tecnologias mas são inseridos nelas). Assim sendo, todos os indivíduos da sociedade contemporânea, de acordo com o pesquisador, são divididos em grupos tendo como base o uso de tecnologias. Consequentemente, tal mecanismo torna-se parte da rotina de muitos de forma exagerada.

É necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para acabar com esse problema. Nesse contexto, as redes socias que comportam filtros devem criar uma norma direcionada aos seus idealizadores que proíba mecanismos que alterem as características físicas dos usuários, tal ação, irá diminuir o número de pessoas com problemas referentes à sua imagem pessoal, pois será nulo o contato das mesmas com fotos modificadas. Ademais, as escolas, os espaços de trabalho e os veículos midiáticos devem realizar palestras e promover propagandas que alertem acerca dos riscos do uso indiscriminado das tecnologias, reduzindo o número de pessoas “reféns” das mesmas. Apenas assim, o problema será resolvido e ficará restrito às produções de televisão.