A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 29/06/2021

Na série “Black Mirror”, produzida pela empresa Netflix, o espectador é alertado sobre a “armadilha das redes sociais” na qual a perseguição do ideial de “corpo perfeito” a qualquer custo, ao ser amplamente incentivada, adoece o indivíduo. Saindo da ficção, nota-se, no Brasil real, o mesmo desespero social na tentativa de se encaixar em um padrão inalcançável, em prol de uma aceitação social, ampliado pelo uso indevido de alteração de imagem em comunidades digitais. Sendo assim, é crucial entender o impacto dessa problemática no âmbito da saúde e o motivo da sua perpetuação.

Com efeito, é fundamental analisar como essa manipulação de imagem reverbera negativamente na saúde psicológica dos brasileiros. Nesse aspecto, infere-se que, por o ser humano ser um animal político, cada indivíduo sempre precisou da aprovação constante do tecido social no qual está inserido para se reafirmar socialmente. Entretanto, as comunidades digitais, com o uso de ferramentas de edição de fotografia, evoluíram essa necessidade de aceitação para além da capacidade suportada pelo cérebro humano, propiciando, assim, o agravamento de transtornos mentais associados à falta de autoestima. Prova disso é a matéria divulgada pelo jornal Globo a qual afirma que, com base em estudos psiquiátricos, as redes sociais provocam uma “epidemia de mal-estar” contemporânea.

Ademais, é necessário entender o papel da indústria da beleza e da redes sociais na fomentação de um ideal de perfeição ilusório imposto à sociedade. Segundo com a escritora Naomi Wolf, a atribuição de valor de acordo com a aparência se constitui, principalmente, como um projeto econômico. Sob essa ótica, depreende-se que, a indústria estética, através de publicidades irreais em espaços digitais de interação, disseminam uma cultura de culto ao corpo que obriga o sujeito a buscar caminhos, como cirurgias plásticas e procedimentos de beleza, para sanar sua dificuldade de autoimagem. Logo, entende-se que tal questão ocorre devido a uma mentalidade capitalista da esfera estética que prioriza somente o lucro em detrimento do bem-estar social.

Portanto, um ação de combate à deturpação de imagem em anúncios nas redes sociais é imperativa. Para isso, é fundamental que o Poder Legislativo atue, por meio da criação de leis devidamente efetivas, na regulamentação adequada do uso de ferramentas de edição de fotografias em propagandas estéticas veiculadas em comunidades digitais, como o instagram. Essa atitude tem como objetivo mitigar o aparecimento de doenças mentais, como bulimia e anorexia, nas mais variadas faixas etárias da pirâmide social, sobretudo, entre camadas com a sua formação intelectual em processo, como a infanto-juvenil. Afinal, deve-se extinguir o “espelho negro” dos aplicativos tecnológicos sociais que torna o indivíduo psicologicamente enfermo.