A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 06/07/2021
O dramaturgo Sófocles afirma que nada grandioso entra na vida dos mortais sem uma maldição, ou seja, embora a tecnologia tenha trazido inúmeros benefícios, houveram também graves prejuízos. Tais adversidades podem ser exemplificadas pela manipulação de imagens na internet e sua contribuição para o desenvolvimento de doenças mentais. Desse modo, faz-se necessário debater sobre dois pontos: a mudança comportamental baseada no que é exposto nas redes sociais e o aumento do número de cirurgias plásticas.
A princípio, é válido destacar que a internet tem forte influência sob as pessoas, porém nem sempre o apresentado é real e ainda assim, provoca alterações no modo de pensar e agir da sociedade. Segundo os especialistas em tecnologia entrevistados para o documentário “O dilema das redes”, se alguém não paga pelo produto, é porque é o produto. Em outras palavras, eles informam que as mídias sociais são capazes de controlar, de maneira gradual, leve e imperceptível, o comportamento do indivíduo. Nesse sentido, é criada uma imagem nelas para fingir a vida perfeita, quando na realidade é o sentimento de inveja e a extrema comparação com os outros que prevalece.
Outrossim, faz-se necessário pontuar o crescimento na quantidade de pessoas que fizeram ou pretendem fazer cirurgias plásticas para se encaixar no padrão expresso pela internet. O termo novo, por exemplo, “Dismorfia do Snapchat” refere-se à busca por procedimentos estéticos com o objetivo de aproximar sua aparência aos filtros usados no aplicativo. Nesse contexto, a utilização desses efeitos produz uma certa diminuição da autoestima do indivíduo, visto que, ele passará a enxergar-se com mais defeitos ao olhar-se no espelho e verá o contraste nas selfies. Em resumo, essa alta exposição por parte da população em geral nas redes sociais, agravada até pelo isolamento, contribuiu para o aumento no número de pacientes com esse transtorno.
Fica evidente, portanto, que o controle de imagens nas redes sociais coopera negativamente para a saúde mental, ocasionando a baixa autoestima e a frustração frequente pela busca à perfeição. Logo, é dever da escola, juntamente à família, promover atividades que as estimulem a “pensar fora da caixa”, ou seja, fora do repetitivo ambiente online, através de, por exemplo, a criação de clubes de livro e um maior incentivo à prática de esportes para que as crianças, futuramente, saibam conviver em sociedade e terem uma personalidade construída de forma independente da internet. Então, a mídia deve lançar campanhas por meio dos próprios influenciadores digitais com o intuito do não uso de filtros nas redes, assim, além de deixar de existir um padrão interferindo na autoestima das pessoas, também diminuirá o número de procedimentos estéticos causados pelos tais.