A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 03/07/2021
Conforme o sociólogo Pierre Lévy, a internet, com a participação de grande parcela da população mundial, amplifica as vozes das pessoas, o que também inclui intenções negativas. Assim, é impossível esquecer da questão da manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental. Esse fenômeno tem entre suas causas a sensação da liberdade de expressão infinita no ambiente virtual, de forma a acarretar na maior ocorrência de transtornos psicológicos em vítimas da prática.
Em primeira análise, deve-se observar a lógica da internet de um discurso sem amarra alguma. Nesse ímpeto, tem-se que, como aponta o célebre filósofo John Stuart Mill, a liberdade de alguém tem fim à medida que a do outro tem início. Ou seja, o direito de se expressar não pode ir de encontro ao de não ser ofendido, de maneira que as falas precisam ter limitações. No ambiente virtual, essa noção é constantemente atropelada, tendo em vista que uma postagem, que pode ter a intenção de ofender alguém com imagens adulteradas, por exemplo, está à distância de um clique, dando uma sensação de poder e influência a quem as posta.
Além disso, lembra-se do impacto que tem essa prática no âmbito da saúde mental. Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância, o discurso de ódio nas redes sociais, o que inclui a manipulação de imagens, afeta sobretudo crianças e adolescentes, que têm maior e mais intenso contato com essas ferramentas. Assim, ocorre também a maior incidência de transtornos como depressão e ansiedade.
Portanto, faz-se necessária medida mitagadora da problemática. Para isso, propõe-se que o Poder Legislativo federal, por meio de lei, obrigue as redes sociais a criarem comissões permanentes que, além de banir e apagar conteúdos com imagens manipuladas, enviem automaticamente dados dos autores ao Ministério Público visando a sua punição. Dessa forma, confome Stuart Mill, garantir-se-á uma liberdade de expressão não ilimitada. Ademais, deve-se criar mecanismos para acolher as pessoas vítimas dessa terrível prática, tratando os seus danosos impactos.