A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 29/06/2021

Criação norte-americana da década de 1960, a internet surgiu em laboratórios para passar informações científicas da época. Assim, com a crescente utilização dessa ferramenta e a criação das redes sociais -impulsionadas pela globalização após Guerra Fria-, a manipulação de imagens nesses meios de comunicação tornaram-se frequentes, trazendo dois grandes malefícios à saúde mental: comparação negativa com a “beleza ideal” e busca pela estética utópica.

Em primeira análise, afirma-se que parcela significativa dos usuários das redes sociais comparam-se negativamente com a idealização de beleza propagado por esses meios de comunicação, sendo essa prática maléfica à saúde mental dos indivíduos que a executam. De acordo o Mito da Caverna, do filósofo grego Platão, os indivíduos são aprisionados pelos sentidos, em que enxergam conforme a imagem ilusória criada pelas sombras dentro da caverna. Nesse sentido, pode-se fazer uma analogia com as redes sociais, à medida que seus usuários, inevitavelmente, comparam-se à imagens manipuladas -consideradas o padrão de beleza atual- e apenas enxergam as “sombras”. Isso é de extrema preocupação, visto que essas ações são negativas, pois perpetuam a banalidade de uma imagem visual irreal.

Outrossim, é importante ressaltar a busca pela estética utópica como outra consequência negativa da normalização da manipulação de imagem nas mídias de comunicação. Consoante o escritor peruano Mário Vargas Llosa, a frivolidade consiste na tabela de valores invertida imposta pela sociedade, na qual a aparência torna-se mais importante que a essência. De maneira análoga ao pensamento do escritor, a imposição da mídia à perfeição da autoimagem é emoldurada nessa tabela de valores, em que a busca pela estética perfeita é mais importante que  a saúde mental dos usuários, sendo danoso a esses. Esse quadro é ultrajante e deve ser modificado, haja vista que os usuários das redes sociais, em sua maioria, procuram infinitamente por um ideal ilusório e manipulado que não existe na realidade fora das telas.

Portanto, medidas são necessárias para a mudança do cenário virtual dos dias de hoje. O Ministério da Saúde, órgão responsável pelo bem-estar biológico e psicológico dos cidadãos, deve diminuir os estígmas causados à saúde mental proveniente a manipulação de imagens nas redes sociais, por meio de campanhas nos principais veículos de informação, as quais conscientizarão os usuários sobre os malefícios ao psicológico que aquelas ações trazem, a fim de que o meio virtual torne-se menos ilusório. Ademais, aquele órgão deve prestar atendimentos especializados aos indivíduos estigmatizados mentalmente em virtude da comparação desenfreada com imagens manipuladas.