A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 29/06/2021
Segundo Mário Vargas Llosa, no livro “A Civilização do Espetáculo”, a frivolidade consiste em ter uma tabela de valores invertida, a qual a aparência importa mais que a essência. Nesse sentido, a manipulação de imagem nas redes sociais é um exemplo da frivolidade da sociedade atual, uma vez que as pessoas, em detrimento da autoaceitação, preferem uma aparência manipulada digitalmente e, muitas vezes, irreal. Essa situação ocasiona malefícios à saúde mental, visto que estipula padrões de beleza e eleva a procura por procedimentos estéticos.
Em primeira análise, é preciso ressaltar que a manipulação de imagens leva à imposição de padrões de beleza, por meio do uso massivo de filtros em aplicativos. Isso ocorre porque o compartilhamento abusivo de fotos manipuladas nas redes sociais, como o Instagram, faz com que o indíviduo tenha uma insatisfação corporal, dado que não é possível ter esse aprimoramento na vida real. No livro “O Olho Mais Azul, da autora Toni Morrison, a personagem Pecola reza todas as noites pedindo para ter olhos azuis, uma vez que está inserida no contexto social de segregação racial e anseia se encaixar nos padrões de beleza da sociedade americana dos anos 1940. Dessa forma, é perceptível que fazer estereótipos corporais é prejudicial à saúde mental, porque leva pessoas à negação de sua identidade e à própria subjugação.
Ademais, a propagação de imagens manipuladas influencia o aumento do interesse por procedimentos estéticos. Nesse contexto, o mercado da estética fomenta à insatisfação corporal, por intermédio das publicidades massivas com corpos modificados. Segundo a Sociedade Internacional de Cirúrgia Plástica, o Brasil é o país que mais realiza procedimentos dessa categoria. Logo, as pessoas que possuem corpos diferentes do exposto nessas publicidades, anseiam se encaixar nesses padrões e recorrem às cirurgias para modificarem sua imagem. Essa conjuntura é nociva à saúde mental, sendo que os indíviduos desejam essas mudanças devido à sensação de inadequação corporal, não possuindo garantia de satisfação pós cirurgia, podendo gerar até arrependimento.
Portanto, vistos os malefícios causados pela manipulação de imagem, é necessário que as mídias, as quais possuem uma grande influência comportamental na sociedade, propaguem campanhas publicitárias. Essas campanhas serão realizadas por intermédio de influencers digitais, mostrando suas imagens reais, assim como as imperfeições, a fim de expor que os filtros são apenas um recurso, ajudando a desmestificar os padrões. Ademais, cabe ao CONAR (Conselho de Autorregulamentação Publicitária) fiscalizar as propagandas do mercado estético, não permitindo o uso de imagens editadas previamente, por meio da suspensão da veiculação do anúncio, a fim de evitar os falsos estereótipos.