A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 06/07/2021
Em março de 2018, a Royal Society for Public Health rankeou o Instagram como a rede social mais prejudicial para a saúde mental. Esse fato está relacionado com a grande influência visual da plataforma, onde os usuários, em sua maioria, expõem suas vidas com fotos manipuladas por filtros. Com isso, é criado um padrão idealizado de beleza que tem como malefícios o aumento de distúrbios mentais, principalmente no Brasil.
Primeiramente, segundo o livro “Sociedade do espetáculo” escrito pelo filósofo francês Guy Debord, as relações modernas são mediadas por imagens, ou seja, com a chegada da televisão, o corpo social virou a “plateia” de um “espetáculo” de informações manipuladas e oferecidas por meio visual. Portanto, com o advento das redes sociais, os usuários mediante de fotos e vídeos passaram a ser, também, influenciadores da sociedade. Porém, essa interação aumentou vários estereótipos alimentados pela manipulação da imagem por meio de filtros de modificação visual, como por exemplo, os de afinar o rosto ou definir o maxilar, entre outros. Contudo, essas modificações geram padrões de beleza que modificam a forma como as pessoas se relacionam com a sua própria aparência.
Ademais, em 2019, um estudo publicado da JAMA Facial Plastic Surgery mostrou que o uso de filtros está relacionado ao aumento de cirurgias estéticas que tem como objetivo atingir a aparência mais próxima possível das fotos manipuladas. Esses casos foram batizados por estudiosos de Dismorfia de Snapchat, que é um distúrbio psicológico que ganhou esse nome por causa da rede social amplamente conhecida por utilizar imagens modificadas. Dessa forma, esses tipos de transtornos mentais, como, também, ansiedade, depressão e problemas alimentares, se tornaram uma consequência negativa da manipulação de imagem nas mídias sociais.
Portanto, para que haja o consumo consciente das ferramentas de manipulação de imagem nas redes sociais no Brasil, é necessário que essas plataformas virtuais retirem os filtros que apresentam incentivos a padrões fictícios de beleza e conscientizem por meio de campanhas virtuais os usuários para o uso cauteloso dos filtros nos meios de comunicação. Além disso, para minimizar os malefícios à saúde mental dos indivíduos virtuais, é de suma importância a participação das instituições de ensino em oferecer palestras e debates com especialistas na área de psicologia para orientar as pessoas com relação aos distúrbios que as redes sociais podem causar aos consumidores.