A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 02/07/2021
O episódio “Queda livre” da série “Black Mirror” da Netflix conta a história de uma mulher que desenvolve problemas psicológicos por acreditar em falsas impressões de felicidade mostradas por seus amigos nas redes sociais. Nesse sentido, o seriado exemplifica as relações interpessoais nas mídias sociais e a manipulação de imagens que criam um padrão estético e comportamental e, consequentemente, afetam a saúde mental dos indivíduos. Por isso, é válido analisar dois fatores: a disseminação de um molde de beleza e o aumento da insatisfação pessoal.
Primeiramente, é necessário compreender os reflexos das fotos postadas em redes sociais na vida das pessoas. Assim, de acordo com o conceito de “Sociedade do Espetáculo” do filósofo francês Guy Debord, as relações sociais são medidas por imagens nas quais o parecer ser é mais importante do que realmente ser. Então, as mídias de comunicação são as principais ferramentas utilizadas como forma de difundir padrões de beleza e felicidade irreais e inalcançáveis visto que são uma forma de propagar o sentimento ilusório de pertencer. Portanto, aplicativos como Instagram, ao disponibilizarem efeitos faciais que manipulam as identidades pessoais, contribuem com a manutenção de um ideal estético.
Além disso, os padrões estabelecidos pelas redes sociais tendem a causar perturbações na saúde mental dos usuários. Dessa forma, de acordo do Indicador de Confiança Digital (ICD), 41% dos jovens brasileiros, inseridos no meio virtual, possuem sintomas de ansiedade e depressão advindos do alto uso de mídias sociais. Isso ocorre devido à alta quantidade de pessoas que constantemente reforçam modelos de vida e beleza a serem seguidos que, entretanto, não fazem parte da realidade da maioria desses jovens. Assim, as pessoas criam a necessidade de se inserir nesse grupo social erroneamente categorizado como modelo exemplar de comportamento, o que aumenta o desenvolvimento de problemas de autoimagem.
Portanto, é importante combater a manipulação das imagens nas redes sociais. Então, é papel dos veículos de mídia - como o Instagram e o Facebook -, a promoção da criação de mecanismos que não corroborem com a preservação do modelo irreal de beleza estabelecido a partir de propagandas e anúncios nas redes sociais que mostrem a vida e as aparências como são apresentadas na realidade, a fim de preservar a saúde mental da população. Ademais, é dever da parcela populacional brasileira instruída acerca dos malefícios da manipulação de imagens nas mídias sociais realizar a conscientização do povo acerca dos males da supervalorização de um padrão não atingível de beleza por meio de projetos sociais de valorização das características estéticas e intelectuais individuais das pessoas. Somente assim, o episódio de Black Mirror será apenas obra da ficção científica.