A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 02/07/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6, o direito à saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática, quando se observa a manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental, dificultando, deste modo, a universialização desse direito tão importante. Esse cenário antagônico é fruto tanto da influência da mídia, quanto a busca por procedimentos estéticos para manter um padrão perfeito. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em primeiro lugar, vale ressaltar a forte influência das mídias como o principal impulsionador do problema. Assim, a imersão da sociedade na rede midiática que facilita a criação e disseminação de novos padrões estéticos, de modo a alienar e moldar, assim como já pregavam os teóricos da Escola de Frankfurt, a mentalidade do indivíduo; o qual, infelizmente, valoriza a aparência alheia em detrimento da autoestima. Esse raciocínio promove uma perspectiva de uma sociedade insatisfeita com a própria aparência, cuja inclinação a desenvolver distúrbios emocionais, como a ansiedade e a depressão, torna-se preocupante. Desse modo, tal fato ratifica os dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que colocam o Brasil como o país com maior taxa de pessoas com ansiedade de maneira a promover uma forma alarmante que põe em risco a integridade mental da população.

Além disso, a ocorrência de procedimentos estéticos tem se tornado tão frequente, que sua realização causa-se habitual para a população. De acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica, em 2018, mais de um milhão de operações foram feitas no Brasil. Esse dado, mostra uma geração atual da sociedade obcecada pelo corpo e rosto perfeito. Dessa maneira, alterações no corpo tem sido tão frequente que gera uma crise na beleza real, pois são apenas retratadas como atraentes, pessoas que passaram por uma série de cirurgias.

Conclui-se, que a mídia e os procedimentos estéticos são fundamentais na construção e divulgação de padrões estéticos inalcançáveis que, pelo apreço da aceitação social, acabam promovendo uma busca doentia e incansável cujos resultados são insalubres. Dessa forma, cabe ao Poder Público, por intermédio do Ministério da Cultura, a realização de uma iniciativa de ruptura à idolatria dos padrões estéticos sociais, em uma campanha chamada “Sem filtro” que, com interações na mídia lideradas por indivíduos diferentes do parâmetro estético valorizado, tivesse o filtro de destacar a essência e o físico natural de cada indivíduo, com o objetivo de alavancar a autoestima, retirar as amarras da aceitação social e, finalmente, cumprir o direito à saúde para todo cidadão brasileiro.