A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 05/07/2021

O livro “Ensaio sobre a cegueira” de José Saramago, mostra uma sociedade contaminada por uma “cegueira branca” que causa um grande colapso na vida e na mente das pessoas. De maneira análoga a obra, observamos uma cegueira cruel na sociedade atual, contaminada por rótulos estéticos que só são alcançáveis através de filtros em redes sociais ou procedimentos estéticos, responsáveis por uma série de malefícios à saúde. Dessa forma, é crucial analisar como a rede social tem contribuido para essa “cegueira”, bem como os desdobramentos desses rótulos na saúde mental das pessoas.

Em uma primeira análise, a mídia sempre foi uma propagadora de padrões, que estão presentes em imagens publicadas nas redes sociais. Isso porque os aplicativos de grande visibilidade possuem filtros que modificam a aparência, com preenchimento labial e nariz afilado, entretanto, é apenas uma ilusão digital para que as pessoas se percam entre o real e o irreal a fim de buscarem procedimentos estéticos para encaixar-se no padrão “perfeito”. Nesse contexto, de acordo com o G1, o Brasil é líder no país que realiza mais cirurgias plásticas, com aproximadamente 1.467.237 de procedimentos, deixando os EUA para trás. Com isso, é necessário que haja uma quebra de paradigmas imposto pelas mídias.

Ademais, a popularização de filtros e cirurgias estéticas têm abalado psicologicamente à saúde das pessoas. Evidentemente, é notório a tentativa da população em estar no padrão, porém isso vem gerando uma série de problemas, como ansiedade, bulimia e depressão, visando quem não tem o esteriótipo “correto” e nem condições financeiras para pagar procedimentos caros. Exemplo disso a série “Insatiable” relata a história de Patty, uma garota obesa que sonha em ser modelo, mas precisa perder muito peso para ser aceita, então entra em dietas restritivas, até que ela se torna bulímica e adquire vários problemas de saúde. Logo, fica claro o quão problemático é a padronização social.

Diante do exposto, medidas são necessárias para estacionar os efeitos da manipulação de imagem. Primeiramente, é preciso que a mídia, principal setor de influência digital, promova propagandas e campanhas com modelos de diferentes esteriótipos com a função de desconstruir o conceito de beleza, para que não haja necessidade de buscar meios alternativos para estar no padrão e não colocar em risco à saúde física e mental das pessoas. Nesse viés, é cabível que o Ministério da Saúde, oriente através de panfletos sobre os riscos das dietas restritivas, bem como das cirurgias estéticas a fim de que haja uma reflexão por parte do leitor sobre a finalidade dos procedimentos. Desse modo, podemos não só desfazer dos padrões, tal como atenuar os problemas de saúde causados pela “cegueira” de uma sociedade regida por paradigmas desnecessários e cruéis.