A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 02/07/2021
O “Mito da Caverna”, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusaram a observar a realidade com medo de sair da sua zona de conforto. De uma maneira análoga, o medo em relação a opinião da sociedade sobre sua imagem tem afetado a saúde mental desenvolvendo uma obsessão pela imagem perfeita. Esse cenário tem origem inegável do discurso capitalista globalizado responsável por uma padronização, maléfica à saúde. Assim, os fatores que influenciam na solidificação dessa realidade, pode-se destacar a modernidade líquida juntamente aos veículos midiáticos.
Em primeiro plano, a perspectiva de lucro somada à teoria do filósofo Zygmunt Bauman resulta no quadro de preocupação estética na internet para se encaixar na normatividade. Isso ocorre pela fluidez das perspectivas na sociedade contemporânea, sendo uma busca incessante pelo ideal de beleza de um padrão que é vendido, valorizando modificações para alcançar o perfeccionismo imposto. Exemplo claro desse fato é a tendência dos filtros popularizados que modificam rosto ou corpo, sendo prejudiciais e como efeitos a competição exacerbada, ansiedade, depressão.
Em segunda instância, o sistema econômico que preza o capital aliada à mídia tem como consequência a alteração da imagem no meio cibernético para prestígio social. Tal pensamento ocorre pela fetichização da estética transformando em mercadoria, sendo a internet seu meio de propagação. Ilustra-se esse paradigma na frase do sociólogo Émile Durkheim, “O homem mais do que um formador da sociedade, é um produto dela”, pode ser aproximada a essa realidade, pois a sociedade é moldada pelas concepções individualista, e a influência midiática é o reflexo do pensamento coletivo.
Depreende-se, portanto que o mau da manipulação de imagem é um mal para a saúde mental. Desse modo, cabe ao Ministério da Educação junto com as escolas, realizarem projetos socioeducativos - realizados em instituições educacionais- , com a presença de profissionais qualificados, a fim de alertar o paradigma dos malefícios da constante manipulação e reduzir o ideal de modificação estética. Ademais, é preciso que a mídia, terceiro setor de influência, promova campanhas publicitária nos canais digitais desconstruindo o conceito de imagem perfeita, para que mais pessoas intendam que não existe um padrão de perfeição e que não há necessidade de manipular sua imagem para se encaixar.