A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 30/06/2021
A canção da cantora norte-americana Beyoncé, “pretty hurts”, mostra como é difícil seguir os padrões de beleza impostos pela sociedade. Essa realidade é refletida na utilização exagerada de filtros que alteram as feições dos usuários, que acaba por perpetuar esse padrão inatingível. Isso ocorre não só pela perpetuação da mídia por esse modelo “ideal”, mas também pela normalização de procedimentos estéticos, muitas vezes desnecessários.
A priori, a mídia é muito poderosa quando se trata da divulgação de um padrão estético. Grande parte das pessoas que aparecem nas propagandas divulgadas amplamente, são pessoas brancas, magras e com feições que só podem ser alcançadas com cirurgias plásticas. Isso se liga ao pensamento de Platão de que, para ele, a beleza deve ser comparada ao amor, que se caracteriza pela insuficiência, ou seja, amamos algo que desejamos e não o temos. Com isso, ainda se tem perpetuação desse padrão eurocêntrico, o que é extremamente preocupante, pois não mostra os diferentes traços étnicos de diferentes comunidades e faz as pessoas desse corpo social almejarem tal beleza e muitas vezes negarem as suas próprias características físicas.
Além disso, a ocorrência de procedimentos estéticos tem se tornando tão frequente que sua realização se torna habitual para a população. De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), dos quase 1,5 milhão de procedimentos estéticos feitos em 2016, 97 mil (6,6%) foram realizados em pessoas com até 18 anos de idade. Entre as justificativas para o quadro está a insatisfação com a própria imagem e, segundo o psicólogo Michel da Matta Simões, pesquisador da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, boa parte é motivada por demandas sociais. Dessa maneira, a normatização dessas alterações corporais gera problemas psicológicos, sobretudo na população mais jovem, por demonstrar que para ser “perfeito” a pessoa precisa passar por vários procedimentos.
Diante dos fatos analisados, a manipulação de imagem nas redes sociais traz um grande número de malefícios, sobretudo na saúde mental. Assim, o Ministério da Saúde deve, em parceria com as empresas privadas de comunicação, realize em suas mídias lives com psicólogos, explicando os malefícios da alteração da própria imagem, de modo que os usuários estejam cientes das consequências psicológicas que tal escolha possa causar. Paralelamente, a Secretaria da Cultura deve fiscalizar as propagandas divulgadas pelas grandes marcas, criando normas sobre os modelos a serem escolhidos, com o objetivo de fornecer uma maior representatividade, para que assim, a geração futura não tenha a dificuldade mostrada na música “pretty hurts”.