A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 30/06/2021
O filósofo Pierre Bourdieu, na teoria do “hábitus”, afirma que todo indivíduo tende a internalizar padrões da sua circunvizinhança e reproduzi-los. Sob tal ótica, nota-se que o grande “habitus” da contemporaneidade é a imagem pessoal, a qual é constantemente manipulada nas redes sociais para enaltecer um padrão utópico disseminado pelas mesmas ferramentas. Apesar dessa realidade degradar progressivamente a saúde mental dos brasileiros, ela persiste devido à superestimação da imagem pela sociedade e à terceirização da responsabilidade estatal.
É relevante ressaltar, primeiramente, que há uma deseducação social quando trata-se da relevância das simbologias que apresentam um brasileiro a outro, ou seja é ensinado a dar mais importância a aparência do que ao conteúdo de outrem. Isso faz com que as pessoas sintam a necessidade de fingir ter personalidades que não têm, distorcerem sua própria realidade e ,na internet, modificar partes do seu corpo para encaixarem-se no padrão estético e, por fim, serem ou sentirem-se aceitas. Prova disso é a pesquisa feita pela marca de beleza Dove, na qual 50% da clientela entrevistada afirmou manipular a foto antes de postá-la. Logo, nota-se quo o Brasil necessita irrefutavelmente de uma educação que destrua simbologias, não que as estimule.
Cabe salientar, além disso, que o Estado tem sua responsabilização terceirizada no que é referente ao asseguramento do equilíbrio psíquico dos cidadãos nas redes sociais. Tal responsabilidade, acaba recaindo sob os pensadores da plataforma ou sob o próprio indivíduo, contudo nenhum desses têm sozinhos o poder de modificar esse cenário. Além disso, é garantido aos brasileiros, pelo artigo 6º da constituição de 1988, que o direito à saúde é inalienável, ou seja, é dever do Governo intervir quando algo está adoecendo fisicamente ou mentalmente a população. Torna-se óbvio, por fim, que novas legislações precisam ser postas em vigor.
Portando, diante da manipulação da imagem nas redes sociais e seus malefícios a saúde mental, é imperativo que o Ministério da Educação inicie um projeto que vise eliminar simbologias e enaltecer as peculiaridades individuais. Isso deve ser feito dentro das plataformas de socialização com o auxílio de psicólogos, “influencers” e profissionais de imagem, os quais por meio de vídeos e postagens irão educar ludicamente os usuários sobre as diferenças entre a superestimação e a realidade. Por fim, o contato diário com o projeto instigará o surgimento de um novo “habitus” na população, a aceitação em substituição a simbologia. Ademais, o Estado deve responsabilizar-se pelo desequilíbrio psíquico de sua pátria e criar legislações, que repreendam financeiramente as plataformas que disseminam padrões utópicos no Brasil, para assegurar a saúde, aos cidadãos, também no meio digital.