A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 30/06/2021
No livro “Madame Bovary”, publicado em meados do século 19, a protagonista Emma Bovary passa sua vida tentando se inserir nos moldes burgueses oitocentistas. Com isso, altera desde sua personalidade até sua aparência. Fora da literatura, nota-se que a atitude tomada por Emma é a mesma que várias pessoas tomam para encaixarem-se nos mais variados padrões da sociedade moderna dentro das redes sociais, por exemplo. A partir desse contexto, é válido discutir a manipulação de imagem e quais seus malefícios à saúde mental, como distúrbios de imagem e depressão.
É válido pontuar, primeiramente, que a manipulação de imagem nas redes sociais tornou-se algo quase que intrínseco ao seu uso. Segundo o Facebook, proprietário das redes sociais mais usadas no mundo, oito a cada dez usuários usam os filtros disponibilizados nos seus aplicativos ou oferecidos por outras plataformas. Assim, percebe-se que a aparência de 80% dos usuários nesses aplicativos não condiz com a realidade e o que poderia ser um ajuste na iluminação ou na saturação de fotos e vídeos, tornaram-se mudanças no rosto e corpo e, posteriormente, até intervenções cirúrgicas para atingir permanentemente a imagem dita perfeita – fato que pode ser caracterizado como distúrbio mental.
Cabe citar, ainda, que muitos usuários podem não discernir o virtual da realidade e desenvolver distúrbios relacionados à saúde mental por causa da manipulação de imagem nas redes sociais. De acordo com Maria Rita Kehl, psicanalista e escritora brasileira, o ser humano, por meio de um processo instintivo natural, sempre irá tentar adaptar-se e encaixar-se ao seu grupo, porém, hoje em dia, esse processo pode resultar na vontade de ser como o outro e no abandono de si mesmo. Com isso, um indivíduo que se baseia em fotos manipuladas nas redes sociais, por exemplo, pode desenvolver distúrbios graves como depressão, ansiedade, anorexia e bulimia ao tentar alcançar uma imagem que nem mesmo é real, prejudicando, assim, sua saúde mental.
Portanto, fica clara a necessidade de medidas para diminuir a manipulação de imagem nas redes sociais e alertar acerca dos seus malefícios para a saúde mental. Por isso, as empresas proprietárias das redes sociais, por definirem as diretrizes de uso, devem desencorajar a intervenção na aparência nas fotos e vídeos publicados nas suas plataformas. Isso será feito mediante campanha nos próprios sites, visando a conscientizar a maior quantidade de pessoas possível sobre o tema. Além disso, o Ministério da Saúde deve estabelecer a “Semana da Rede Social Legal”, na qual psicólogos psiquiatras e psicólogos alertarão sobre o perigo da comparação com o que é visto online e como fazer o uso consciente das redes. Assim, haverá menos “Emmas” na sociedade brasileira e cada vez mais a pessoas conseguirão evitar malefícios à saúde mental por causa das redes sociais.