A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 06/07/2021

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a saúde é conceituada como um “estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de uma doença ou enfermidade”. Lembramo-nos sempre de hipertrofiar nossos bíceps nas academias, porém temos nos esquecido de amadurecer a nossa capacidade de gerir nossas próprias emoções e de proteger a nossa mente de certos vilões, como a dismorfia de imagem nas redes sociais. Nesse sentido, deve-se debater o porquê da existência desse mal e o modo como ele afeta a psique das pessoas.

Primeiramente, é imperativo associar a manipulação de imagens no mundo virtual à lógica capitalista e consumista na qual vivemos imersos. De acordo com a psicanalista brasileira Helena Cunha, o que conta para a grande maioria dos usuários das redes sociais não é ser muito feliz, apenas parecer, pois isso já é suficiente para levar a pessoa do outro lado da tela a querer o mesmo estilo de vida, no qual tudo é “melhor”. Desse modo inúmeros influenciadores famosos e formadores de opinião distorcem suas fotos e o seu dia a dia através de filtros e edições, porque é sabido que as plataformas digitais irão favorecer o consumo do seu conteúdo e alçar não apenas o seu sucesso, mas também o das marcas que os patrocinam e, assim, ganham mais visibilidade.

Segundamente, é fundamental avaliar como a manipulação de imagens é capaz de deixar uma pessoa insegura com o seu corpo. De acordo com uma pesquisa publicada pela Escola de Medicina da Universidade de Pittsburg, nos Estados Unidos, um usuário que passa cerca de 1 hora por dia em plataformas como “Twitter”,“Facebook” e “Instagram” tem quase 3 vezes mais chance de sofrer de depressão do que aqueles que conferem suas redes sociais com menos frequência. Isso ocorre porque, no mundo virtual, a maioria esmagadora das fotos é produzida e tratada de modo a destacar o que há de melhor e prender a atenção do público, contudo, quando as observamos, não notamos isso, instintivamente, o que acaba gerando na cabeça dessas pessoas a criação de um novo “normal’, no qual elas mesmas não se inserem, pois seus corpos são diferentes. Nesse sentido elas acabam se sentindo mais desfavorecidas e infelizes, pois o que fica é uma imagem de perfeição, impossível de atingir.

Portanto, faz-se imperioso que esse impasse seja resolvido. Urge que o poder judiciário, por meio do Marco Civil da Internet, lei cujo objetivo é estabelecer princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da internet Brasil, convença as plataformas digitais de notificarem aos seus usuários toda vez que eles se depararem com uma foto ou “post” editado, para que sejam lembrados de que aquilo não condiz com a realidade e, assim, poupados de comparações irreais que só prejudicam sua saúde mental.