A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 01/07/2021
No episódio Nosedive da série televisiva Black Mirrror é representada uma sociedade distópica em que a reputação dos usuários depende do bom status nas redes sociais. Fora das telas, é fato que esse enredo pode ser associado à realidade da vida contemporânea, uma vez que as redes apresentam grande influência nas relações interpessoais - sendo a manipulação de imagens uma prática recorrente nesse meio. A partir da análise dessa questão, percebe-se que ela está associada aos padrões de beleza da modernidade e apresenta diversos malefícios à saúde dos usuários.
Em primeiro plano, é necessária a compreensão de que o exercício de manipular imagens através de edições e filtros tem como principal propósito o enquadramento nos padrões de beleza vigentes. Nessa ótica, o teórico Guy Debord definia o consumo de imagens como uma das principais características da contemporaneidade - lógica que se aplica às redes sociais, que por serem movidas por fotos constantemente editadas, reforçam ideais de beleza inalcançáveis. Nesse sentido, enquanto não houver um debate mais amplo acerca desse ato, ele continuará a ser comum e símbolo de uma sociedade de aparências, como também previa o sociólogo Zygmunt Bauman.
Ademais, é pertinente ressaltar que essa prática tem influência direta na diminuição do bem-estar das pessoas, uma vez que compromete a autoestima das mesmas. Esse fato pode ser ratificado pelo estudo realizado pela organização Jama Facial Plastic Surgery, em que foi verificado que o uso de filtros estava relacionado ao aumento de interesse por intervenções cirúrgicas estéticas. Desse modo, percebe-se que essas edições, além de gerarem dismorfias, podem levar à realização de procedimentos invasivos e irreversíveis.
Portanto, conclui-se que medidas devem ser tomadas a fim de solucionar o impasse. Urge que as redes sociais - Instagram, Facebook, Snapchat, entre outras - invistam em um projeto de combate à manipulação de imagens. Para tanto, deve-se estabelecer protocolos que regulamentem filtros que façam modificações significativas nos rostos das pessoas, com o objetivo de evitar distorções na autoestima dos usuários. Ademais, essas empresas devem investir em projetos de conscientização acerca dos malefícios da prática, visando educar mais pessoas acerca da questão. Somente com esses esforços será possível transformar as redes sociais em ambientes mais saudáveis e garantir, com isso, que a premissa de Nosedive permaneça apenas na ficção.