A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 01/07/2021

O escritor tcheco Franz Kafka, em uma de suas declarações, afirmou ter pavor de espelhos porque eles refletiam uma feiura inescapável. Hodiernamente, a manipulação de imagens nas redes sociais por meio de filtros ou edições, tem potencializado, na sociedade, o sentimento “kafkaniano”: a depreciação real da aparência. Esse problema tem fragilizado a saúde mental dos internautas, pois favorece o surgimento da insegurança e depressão.

Em primeira análise, é válido ressaltar a insegurança como um dos malefícios à saúde mental causado pela manipulação de imagens nas redes sociais. Segundo pesquisadores do instituto JAMA Facial Plastic Surgery (Boston, EUA), desde 2018, indivíduos buscam tratamentos estéticos e cirúrgicos para atingirem uma aparência mais próxima daquela com filtros. Isso ocorre devido ao modelo irreal de pessoas perfeitas alcançado por meio de edições, as quais difundem um padrão de beleza inalcançável naturalmente. Dessa forma, ao confrontar a realidade com as cenas retocadas, a disparidade com o arquétipo fomenta um sentimento de não pertencimento nos internautas, os quais se arriscam para encaixar-se nos moldes ditados pela internet.

Além disso, outro malefício à saúde mental causado pela manipulação de imagens nas redes sociais é a depressão. De acordo com o filósofo Michael Foucault, existem poderes na sociedade, como a internet, capazes de disciplinarizar os corpos, ou seja, normatizar padrões a serem seguidos. Em vista disso, o excesso de publicações de pessoas que, por meio de filtros e edições, aparentam ser fisicamente perfeitas, saudáveis e felizes, faz com que alguns indivíduos, ao se perceberem diferente do que é mostrado na tela, comecem a apresentar comportamentos indicativos de depressão, como a autocrítica em excesso e o isolamento.

Dessa forma, a fim de atenuar os malefícios causados à saúde mental pela manipulação de imagens nas redes sociais, é dever do Governo Federal, aliado ao Ministério da Educação, promover palestras nos centros educacionais. A conversa contará com a participação de psicólogos e psicopedagogos e será ofertada para toda a comunidade, com o intuito de desnudar o padrão de beleza imposto nas redes, bem como os perigos da utilização de filtros em excesso para a percepção da imagem e os riscos de intervenções estéticas e cirúrgicas em busca da perfeição. Outrossim, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com clínicas particulares, elaborar um programa de atendimento psicológico gratuito às pessoas que estejam apresentando comportamento depressivo associado a algum distúrbio de autoimagem. Esse tratamento deverá ser feito através de encontros semanais, nos quais o profissional atenderá a demanda do paciente e instruirá os responsáveis para lidar com a depressão.