A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 05/07/2021

Durante a Grécia Antiga a exaltação demasiada de um estilo corporal impôs na sociedade da época um padrão estético “perfeccionista”. Ao decorrer do tempo, no mundo contemporâneo, a imposição de um modelo fixo ainda persiste, e dessa vez encontra-se atrelado à esfera virtual. Dessa forma, faz-se pertinente analisar que a manutenção da manipulação de imagens nas redes sociais provém da idealização midiática e de seus efeitos psicológicos nos indivíduos.

A princípio, nota-se que os meios midiáticos são mecanismos de propagação de um padrão corpóreo. Isso se deve ao seu forte poder de alienação, uma vez que grande parcela desses canais comunicativos promovem ideais excludentes. De acordo com o conceito “Fato social” do socióligo Émile Durckheim, a sociedade sofre de uma constante coerção exterior ao indivíduo. Nesse sentido, a mídia é vista como um canal de imposição  e, por conseqência disso, a população tende a querer se encaixar em seus padrãos. Desse modo, a adulteração de imagens nas redes sociais é uma exemplificação da tentativa de se introduzir nos protótipos da imprensa.

Sob outra perspectiva, é válido reconhecer que a padronização provoca um efeito de frustração nos indivíduos. Tal fato é originado da autoexigência  de parcela da população em tornar o seu corpo igual ao das imagens ilusionistas das redes sociais. Nos trechos das música “Desconstrução” de Tiago Iorc: “Nas aparências todos tão iguais” e “Ninguém notou a sua depressão, seguiu o bando a deslizar a mão para assegurar uma curtida” fica explícito a realidade desses indivíduos que possuem sua estabilidade mental abalada pela constante busca de um padrão ilusório. Nessa lógica, essa procura provoca um desejo pertinente de aceitação pela sociadade, causando problemas psicológicos, bem como, a ausência de identidade própria e depressão, como foi citado pelo cantor brasieleiro em seus respectivos excertos musiciais. Sendo assim, faz-se pertinente analisar que a manipulação de imagens no mundo virual causa malefícios psíquicos aos telespectadores.

Portanto, é de suma importância a realização de medidas que valorizem a singularidade de cada indivíduo. Logo, as empresas de roupa e cosméticos em parceria com a mídia devem promover autoaceitação por meio da intensificação de campanhas publicitárias com pluralidade de belezas, a fim de que os indivíduos sintam-se representados e, por consequência, fiquem realizados com a sua aparência. Assim, a manipulação de imagens não será mais uma realidade na sociedade, divergindo dos conceitos de motodização corporal da Grécia Antiga.