A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 05/07/2021
No filme “A Viagem de Chihiro”, dirigido por Hayao Myazaki, o personagem Sem-Rosto é desprovido de uma identidade própria e vaga sem rumo pelas ruas da cidade, adquirindo características, conforme as influências ao seu redor. Fora da ficção, a atuação da internet na sociedade promoveu uma geração de “sem-rostos”, que, influenciada pela realidade fictícia gerada por imagens manipuladas, tem questionado a própria identidade e adquirido inúmero malefícios quanto à saúde mental. Diante desse contexto, é fundamental a discussão acerca do surgimento de um padrão de beleza cada vez mais inalcançável, bem como a consequente intolerância às reais imperfeições.
Nota-se, inicialmente, que, embora seja possível o livre uso da criatividade, a excessiva necessidade de edições nas fotos também tem gerado o surgimento de um padrão de beleza irreal. Isso ocorre, pois, cada vez mais, uma “boa” aparência tem se tornado peça fundamental para o engajamento nas redes. Essa conjuntura está associada à perspectiva teórica do estudioso sul-coreano Byung Chul-Han, o qual defende que a contemporaneidade é marcada pelo narcisismo, caracterizado, na atualidade, pela transformação do indivíduo em empresário de si mesmo. Dessa forma, uma imagem que se adeque aos padrões atuais de beleza se tornou fundamental para atingir o sucesso desejado na web, ainda que não corresponda à realidade.
Em contrapartida, a situação atual também tem intensificado o aparecimento de doenças mentais, como ansiedade e depressão, por exemplo, devido ao aumento da intolerância àquilo que não atende às expectativas visualizadas no mundo virtual. Essa realidade está associada ao pensamento do filósofo francês Guy Debord, que, por meio do seu livro “Sociedade do Espetáculo”, explana sobre a capacidade de dominação da imagem na era contemporânea, o que facilmente gera a manipulação da sociedade. Dessa forma, a manipulação de imagens que mostram indivíduos perfeitos, com peles sem imperfeições e corpos altamente magros e definidos, por exemplo, acarreta uma profunda insatisfação ao internauta com relação ao próprio corpo.
São necessárias, portanto, medidas que modifiquem essa realidade. Para isso, as mídias digitais deverão conscientizar a população por meio de anúncios constantes que alertem aos usuários sobre a perfeição gerada pela manipulação de imagens, comparando com a vida real, a fim de que a noção entre mundo virtual e real fique fortemente estabelecido nos internautas. Ademais, tais mídias também serão responsáveis por alertar os usuários sobre a manipulação de imagem por meio de símbolos a serem colocados em postagens nas quais forem identificadas modificações artificiais no corpo. Assim, não mais haverá uma geração de “sem-rostos” e cada um se orgulhará da própria identidade.