A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 02/07/2021

Na obra “Utopia”, do inglês Thomas More, é retradada uma sociedade perfeita, na qual se padroniza pela ausência de problemas e conflitos. No entanto, o que se observa é o oposto do que o autor prega, uma vez que a manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental apresentam barreiras, as quais impedem a concretização dos planos de More. Nesse caso, é necessário analisar a negligência estatal e a normalização de procedimentos estéticos invasivos.

Primeiramente, é fulcral pontuar que a modificação do retrato nas redes sociais e suas consequências à saúde mental deriva das baixas atuações governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Nesse sentido, segundo o filósofo Thomas Hobbes, o Estado é responsável pelo bem-estar da população, entretanto isso não ocorre no país. Devido à falta de ação das autoridades, esse empecilho se faz presente nos dias atuais, contribuindo com o desenvolvimento da depressão, tendo em vista o uso de filtros de imagens que mudam o rosto das pessoas e trazem a sensação de beleza superior, a qual na verdade, quando é deixada de lado e retorna ao mundo real, o indivíduo acaba se frustrando. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal.

Ademais, é imperativo ressaltar a normalização de procedimentos estéticos invasivos como promotor do problema. De acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica, em 2018 foram feitas mais de um milhão de operações, isso mostra uma geração obcecada pela busca da perfeição em termos de corpo e rosto. Dessa forma, as mudanças no corpo estão se tornando cada vez mais normal, gerando uma crise de autoestima nos jovens, sendo assim, são tratados como charmosas, somente pessoas que passaram por cirurgias estéticas. Logo, é intolerável que esse cenário continue perpetuando de forma cotidiana.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem a construção de um mundo melhor. Para isso, o governo, em parceria com as empresas privadas de comunicação, realiza em mídias e instituições públicas, palestras com psicólogos, voltadas para o reconhecimento dos malefícios da alteração da imagem, com o objetivo de que todos entendam como consequências psicológicas que podem ser acometidas. Além disso, ele deve fiscalizar as propagandas divulgadas pelas marcas, criando normas sobre os modelos a definir, para fornecer uma representatividade maior. Somente dessa forma podemos nos aproximar da Utopia de More.