A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 02/07/2021

“As garotas gostosas de onde eu venho não parecem modelos”. É com esse trecho que Anitta, em sua música “Girl From Rio”, traça uma dura crítica à padronização estética que recai sobre o corpo feminino brasileiro, principalmente nas redes sociais, onde parte das pessoas segue um modelo de “perfeição”, curvas e beleza exacerbada, típicas de modelos. Fora da indústria musical, a canção se enquadra à manipulação de imagem nas redes sociais, problema que ocorre não só em razão da indústria midiática promover um arquétipo irrealista, mas também pela grandiosa aplicação de efeito, mais conhecidos como “photoshop”, nas fotos em meios digitais.

Em primeira análise, é válido conhecer o poder da mídia na criação de um molde de beleza utópica. Nesse contexto, destaca-se a escolha de modelos para propagandas que, em sua maioria, obedecem a um padrão alcançado após plásticas ou aplicação de efeitos. Sob essa ótica, é válido citar Jean-Jacques Rousseau, filósofo iluminista que defendia que o homem era produto do meio. Logo, esse comportamento resulta no fortalecimento de uma crença eurocêntrica sobre o que é considerado belo pela sociedade, pois somente pessoas brancas e magras são representadas nos principais veículos de comunicação. Assim, essa situação desemboca em um grande problema de comparação e sentimento de incapacidade, principalmente aqueles que não são seguros com seus corpos e aparência.

Ademais, não só a mídia contribui para a intensificação desse problema, haja vista que a aplicação de filtros em redes sociais, a exemplo do Instagram, torna-se mais intenso a cada dia que decorre. Essa situação pode ser evidenciada pela publicação da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, ao divulgar que cerca de 55% das pessoas que fizeram rinoplastia, em 2017, foi com desejo de se parecer com os efeitos da rede social. Esse dado, somado com o caso recente da atriz Giovanna Chaves que, apesar de já ser magra, se submeteu a uma lipoaspiração, mostra uma geração obcecada pela aparência perfeita. Dessa maneira, percebe-se que a  manipulação de imagem nas redes sociais traz malefícios à saúde mental, como, nesse caso, a baixa autoestima, problema que deve ser perpassado no Brasil.

Diante do exposto, é necessário conter os danos psicológicos que o meio virtual pode causar. Portanto, é necessário que o Ministério da Saúde, em parceria com empresas privadas de comunicação, realize em suas mídias, lives com psicólogos, explicando os malefícios da alteração da própria imagem, para que os usuários fiquem cientes das consequências que tal escolha pode causar. Paralelamente, a Secretaria de Cultura deve fiscalizar as propagandas divulgadas pelas grandes marcas, criando normas sobre os modelos escolhidos, com o objetivo de fornecer uma maior representatividade, para que assim, a geração futura tenha o ideal de “Girl From Rio” bastante claro e normalizado.