A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 05/07/2021
Na canção “Mrs. Potato Head”, cantada por Melanie Martinez, é feita uma crítica à pressão social que é colocada nas pessoas para assumirem um padrão de beleza inestimável e que compromete o seu “eu” original. Por isso, refletir sobre a manipulação de imagem nas redes sociais é imprescindível, uma vez que a maximização do belo romantiza ferramentas de filtro e cirurgias plásticas. Assim, promovendo distorções depressivas, crises de ansiedade e outros problemas relacionados a saúde psíquica.
Historicamente, os moldes de perfeição associados ao ser humano mudam drasticamente de uma era à outra. Para Platão, a beleza estava na sabedoria, em contrapartida, para a geração “Alpha” é comum que os novos padrões estejam relacionados as mídias digitais e ao fenômeno dos “Influencers”. A exemplo disso, a série de TV americana “Keeping up with the Kardashians”, gira em torno de uma família de celebridades do Intagram que normaliza padrões estéticos quase inalcançaveis, são lábios carnudos, narizes europeus, corpos de “ampulheta” e muitas cirúrgias plásticas. Segundo a Academia Americana de Cirúrgia Plástica e reconstrutiva Facial, 55% dos cirurgiões declararam que seus pacientes procuram as cirúrgias para o melhoramento de fotos. Assim, como é dito em um verso da música citada anteriormente: “Não seja dramático, é apenas um pouco de plástico, ninguém vai te amar se não for atraente”.
Outrossim, os filtros criados para suprir esse desejo da perfeição são formas de lembrar para o indivíduo que se ele não o tiver, não se encaixa nos padrões. Consequentemente, a esfera psíquica é comprometida, uma vez que a sensação de não pertencimento gera insegurança e competição. Dados da Organização Mundial de Saúde apontam que 40% das garotas que passam muito tempo nas redes tem depressão, ou seja, essa cultura da massificação de um arquétipo gera uma Síndrome da Decepção Continuada - estado mental em que não se reconhece, a imagem real não agrada e só se aceita com distorções. Dessarte, a manipulação da imagem cria uma onda de obsessão em querer que o outro veja sempre o lado perfeito e que agrada aos olhos. Junto a isso, a sensação de opressão e sufocamento é cada vez maior, já que depois de tantas imposições não se pode ser único, deve ser considerado “normal”.
Desta feita, a real necessidade de ações governamentais movidas pelo Estado, juntamente com o Ministério da educação, faz-se necessária no direcionamento de verbas para campanhas relacionadas a educação digital e amor próprio. Além disso, o Ministério da Saúde entrar em parceria com o MEC na realização de movimentos em prol do atendimento de pessoas com a saúde mental abalada nessas questões e disponibilizar um treinamento adequado para os profissionais lidarem com tais pacientes.