A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 02/07/2021

“Skins”, série britânica, aborda a rotina de adolescentes, entre os quais está Cassie uma menina com problemas de auto-imagem que causaram o desenvolvimento de distúrbios alimentares. Análogo à ficção, jovens contemporâneos têm sua saúde mental muito prejudicada pela rotina “online”, a qual fomenta doenças ao permitir, e até estimular, manipulações corporais. Assim, é plausível assumir que a alteração de corpos nas redes sociais traz diversos malefícios para o usuário, como o desenvolvimento de distúrbios psicológicos relacionados a percepção física, por associar imagem e aceitação.

Primeiramente, é fundamental reconhecer o perigo existente nas redes sociais com a livre manipulação corporal aliada ao senso de valorização e aceitação presente “online”. Para comprovar tal contexto é preciso saber que o aplicativo “Instagram” no ano de 2019 proibiu a vizualização de curtidas em todas as postagens na rede. Diante disso, é possível perceber que os próprios organizadores do site reconheceram o quão danoso pode ser a dinâmica de apreciação e imagem presente nele. Isso ocorre porque, muitas vezes, os usuários se limitam a apreciar os corpos dentro do padrão social ou que ao menos aparentam estar, já que, manipulação corporal é comum e até estimulada na maioria das redes sociais causando a desvalorização daqueles fora do padrão comportamento causador de distúrbios mentais. Em suma, é importante analisar o papel das alterações corporais “online” na fragilização da saúde mental dos cidadãos.

Ademais, é necessário especificar a relação de distúrbios alimentares e de auto-imagem com a manipulação do corpo presente nas redes sociais. Para expandir esse viés, é essencial compreender a teoria do sociólogo Bordieu, nomeada de “Habitus”, a qual especifíca que experiências presenciadas muitas vezes levam a sua repetição no futuro. Nessa realidade, é perceptível a relação da alteração corporal livre “online” com fragilização da saúde mental, uma vez que os usuários apenas são expostos a corpos perfeitos filtrados para atender ao padrão social, algo que a maioria da população não atende. Por conta disso, o indivíduo desvaloriza sua imagem percebendo ela como não digna, o que leva, várias vezes, a doenças psicológicas como a anorexia e bulimia. Sendo assim, é notória a conexão de desvios na sanidade mental com a manipulação de corpos.

Portanto, haja vista a relação da manipulação de imagens com a fragilização da saúde mental, é imprescindível que o Ministério da Educação, responsável pela formação dos brasileiros, invista em encontros semanais para discutir auto-imagem nas redes sociais. Tal medida deve ser aplicada por meio de palestras com psicólogos e especialistas em tecnologia que expliquem os filtros e suas consequências na saúde, a fim de promover uma utilização saudável das redes pelos usúarios do país.