A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 06/07/2021

“Seu comercial, …, não me engana! Eu não preciso de status nem fama”. Esse trecho de “Capítulo 4 Versículo3” - canção da banda “Racionais Mc’s” - deixa explícito o modo com que a sociedade atual é influenciada pela propaganda. Nesse sentido, as redes sociais são veículos responsáveis pela manipulação de imagens e, por consequência, de pessoas, o que afeta a saúde mental daquelas que são influenciadas. A esse respeito, essa influência faz o indivíduo acreditar em narrativas fictícias e essa crença equivocada o deixa traumatizado por não conseguir se encaixar nessa irrealidade.

Em primeiro plano, é importante analisar a maneira com que a manipulação de imagens faz o indivíduo acreditar em uma realidade fictícia totalmente alienante. Isto posto, Yuval Noah Harari, professor e autor israelense, explicou o motivo que o ser humano tende a acreditar em narrativas sem comprovações reais: a sede por cooperação e aceitação. Nesse viés, Harari deixa explícita a razão pela qual ocorre a manipulação de imagens e dados, uma vez que a coletividade humana é feita da junção de vários grupos de pessoas que cooperam entre si e são facilmente moldáveis para permanecerem aceitos socialmente. Dessa forma, enquanto o controle sobre as imagens e informações se mantiver, o Brasil vai continuar a enfrentar um dos mais graves problemas da superestrutura social: a manipulação.

Sob outra análise, as narrativas de uma sociedade irreal são responsáveis por traumas psicológicos com aqueles que não conseguem se encaixar no modo de vida projetado pelas manipulações de imagens. Nesse cenário, “Eros e Civilização”, livro do escritor e sociólogo alemão Herbert Marcuse, argumenta que os detentores dos meios de comunicação são responsáveis por impor, de maneira implícita, desejos na população, o que a faz trabalhar e esforçar-se para entrar no padrão criado. A esse respeito, Marcuse deixa claro que a domínio das massas se faz por meio da influência, ou seja, mediante a idealização de uma realidade fictícia de consumo, algo amplamente utilizado nas redes sociais. Assim, urge a tomada de medidas com o propósito de mitigar essa situação deletéria.

Depreende-se, portanto, que a resolução dessa situação é improrrogável e o Governo deve agir imediatamente. Em virtude disso, cabe ao Ministério das Comunicações -no exercício de seu poder informativo- alertar as pessoas sobre o uso excessivo de redes sociais, por meio de propagandas televisivas que comuniquem os possíveis danos mentais que podem ser causados por essa prática, com a finalidade de diminuir o número de pessoas que sejam alienadas no meio virtual. Ademais, o Supremo Tribunal Federal- no exercício da sua função judiciária- deve aprovar medidas que impeçam a manipulação de dados e imagens, por meio da coadunância com o Congresso, com o fito de afirmar a soberania popular. Assim, as pessoas não precisarão de status, como diz na música de"Racionais Mc’s"