A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 06/07/2021

Apesar das redes sociais terem encurtado a distância entre pessoas de diferentes regiões e culturas, é inegável que estas se tornaram verdadeiras armadilhas, como bem afirmou o sociólogo Bauman. Nesse sentido, o uso excessivo de tais aplicativos, e a incessante busca pela perfeição estética têm sido fatores fundamentais para a recorrente manipulação de imagens nas mídias sociais, causando diversos malefícios à saúde mental dos usuários.

De início, é importante perceber que as pessoas têm utilizado cada vez mais as redes sociais, de modo que, atualmente, o Brasil é o segundo país do mundo que passa mais tempo interagindo virtualmente, conforme estudo publicado pela empresa Comscore. Como se não bastasse, tal problema se agrava com o fato de que as interações ente os usuários são frequentemente realizadas com o compartilhamento de imagens editadas, tornando-se algo natural e banalizado em nossa sociedade. Sob essa perspectiva, é válido ressaltar que, se o hábito é o grande guia da vida humana, conforme aduz o filósofo David Hume, isso explica o motivo de haver uma crescente frustração e queda na autoestima das pessoas ao longo dos anos.

Ademais, a constante busca para se adequar aos padrões de beleza tem encontrado suporte nos meios virtuais, com a ajuda de filtros e editores de fotos, criando gatilhos ainda mais fortes para o desenvolvimento de distúrbios mentais entre os usuários de redes sociais. Nesse trilhar, de acordo com a pesquisa divulgada pela Dove, 84% das brasileiras usam filtros para alterar a própria aparência na internet, enquanto 35% delas afirmam que se sentem “menos bonitas” ao verem fotos de celebridades nas redes sociais. Ao observar esse estudo, é possível compreender que a manipulação das fotografias é reflexo e, também, causa da necessidade de se autoafirmar perante a sociedade, utilizando como parâmetro de beleza formas inalcançáveis que são projetadas com efeitos especiais.

Portanto, infere-se que a edição de imagens nas redes sociais e seus consequentes prejuízos para a saúde mental é um problema que requer intervenções urgentes. Diante disso, é fundamental que o governo, por meio do Ministério de Comunicações, conscientize a sociedade acerca da banalização das fotografias editadas, promovendo propagandas nas próprias mídias digitais, alertando sobre o risco que tal costume causa para a saúde psicológica dos indivíduos. Outrossim, é importante que o Ministério da Educação invista em palestras e debates sobre o tema em institutos educacionais de ensino básico e superior, incentivando a importância do autoconhecimento e autoaceitação em tempos de padrões de beleza tão ríspidos. Somente com informações adequadas e formando pensamentos críticos será capaz de proteger a saúde mental dos cidadãos nos meios digitais.