A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 07/07/2021

Os “semideuses” gregos

“Estou farto de semideuses”. Esse é um dos versos do “Poema em Linha Reta” de Fernando Pessoa, o qual reflete sobre a vida de aparências, em que o “parecer” importa mais do que o “ser”. Essa idealização, que já existia em séculos passados, é hiperestimulada pelo uso das mídias sociais, pois nelas há o compartilhamento de fotos manipuladas -que retiram as “imperfeições”- e felizes recortes da vida das pessoas. Assim, “reles mortais”, ao acompanharem esses semideuses sentem-se inferiores e infelizes com seus corpos, o que traz malefícios à saúde mental.

Primeiramente, as redes sociais são um meio psicologicamente nocivo, pois, assim como as estátuas gregas, passam a ideia de perfeição. Logo, os usuários tendem a comparar-se com essas figuras públicas e sentir-se inferiores. Portanto, a internet propicia o nivelamento entre “o palco dos semideuses” e “os bastidores dos reles mortais”, como já analisado pelo filósofo coreano Chul Han. Dessa maneira, a saúde mental dos indivíduos é posta em risco devido a esse complexo de inferioridade, promovido pela constante comparação nas redes.

Em segunda instância, a manipulação de imagens -em publicações-, por meio de aplicativos, como o Adobe Photoshop, originou o termo “photoshopar”, o qual foi naturalizado diante do constante “conserto” de imperfeições corpóreas nas mídias sociais. Assim, a atmosfera da internet é permeada de irreais corpos, os quais são, muitas vezes, objetivados pelos “reles mortais”. E atingir o “corpo dos sonhos” inspirado em fotos dos semideuses não passa de uma fantasia mascarada, o que tem por consequência um extremo e prejudicial culto à beleza -corporal- e o desenvolvimento de transtornos alimentares -como a bulimia e anorexia.

Dessarte, é imprescindível que a manipulação da imagem nas redes sociais seja minimizada. Assim, é papel da população promover a desidealização por meio da aceitação das fraquezas e defeitos humanos para que os “semideuses” tornem-se “reles mortais”.