A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 05/07/2021
A Constituição Federal, promulgada em 1988, exige o direito à saúde de todos os brasileiros. Contudo, esse benefício é, muitas vezes, dificultado, visto que a manipulação de imagem nas redes sociais causa malefícios psicológicos. Dessa forma, a alteração da aparência, pode acarretar tanto a distorção de imagem quanto o complexo de inferioridade.
No mesmo contexto, a manipulação visual, presente na maior parte da internet, pode acarretar distorção de imagem, pois acostuma o usuário a sua versão irreal. Como exemplo disso, a influenciadora digital Virgínia Fonseca, retratou em suas redes sociais que não voltaria a postar fotos com efeitos, porque estava problematizando características físicas que eram editadas, enxergando-as como defeitos. Sob esse viés, aquilo que foi criado como ferramenta acaba por ser danoso aos navegantes digitais por gerar a percepção de que uma peculiaridade seria uma imperfeição, como aconteceu com a “influencer”. Isso faz com que o indivíduo passe a utilizar cada vez mais os filtros e a não se enxergar como é, causando uma distorção de imagem. Dessa forma, é necessário que as plataformas digitais analisem o tipo de modificações aceitas para evitar esse problema mental.
Ademais, a manipulação de imagem nas redes sociais apresenta o complexo de inferioridade como um dos malefícios para a saúde mental, uma vez que os usuários estão em uma constante comparação entre si. De acordo com o sociólogo Pierre Bordieu, o corpo social analisa, de maneira constante, as minúscias do indivíduo. Nesse contexto, o cidadão dá valor a sua imagem, pois está continuamente em julgamento. No mesmo âmbito, a manipulação de imagem, em uma sociedade que a supervaloriza, influencia diretamente no comportamento daqueles do público-alvo, o qual cria um padrão inalcançável de uma foto editada. Nesse aspecto, a comparação e o sentimento de inferioridade são inevitáveis, caso não haja autoconhecimento suficiente. Por isso, é necessário analisar o nível do efeito, para evitar a busca pelo padrão inexistente.
Evidencia-se, portanto, os problemas mentais que a manipulação da imagem pode trazer para o brasileiro. Nesse aspecto, cabe as grandes empresas responsáveis pela criação e permanência de efeitos- como o Instagram- analisá-los antes de serem aceitos na plataforma. Isso será feito por meio da criação de um algoritmo, o qual identificará alterações físicas feitas a partir da edição, por intermédio de profissionais capacitados para tal, com finalidade de evitar distorção de imagem e o complexo de inferioridade gerado por essas alterações. Feito isso, provavelmente, a sociedade brasileira poderá contar com cidadãos mais estáveis de maneira mental, uma vez que aquilo que era visto como falha única e pessoal será constantemente presente, sem a edição.