A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 04/07/2021

Em 2019, a rede social “Instagram” optou por remover filtros que editavam fotos para simular cirurgias plásticas, alegando que esse recurso era uma ameaça ao bem estar dos usuários. Esse acontecimento está ligado com os malefícios à saúde mental causados pela manipulação das imagens nas redes sociais, assunto que nos últimos anos ganhou relevância por estar relacionado a problemas como baixa autoestima e insatisfação pessoal dos internautas.

Em primeira análise, é notório o quanto as distorções de imagem na internet têm causado grandes problemas em relação à autoimagem das pessoas, uma vez que os jovens se mostram cada vez menos confiantes com seus atributos físicos. Tal afirmação é elucidada pelos dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, que indicam que o número de procedimentos estéticos realizados em jovens de 13 a 18 anos cresceu em 140% nos últimos dez anos. Esses resultados podem ser relacionados à influência das mídias sociais na vida da juventude, pois a percepção de uma imagem irreal e distorcida das pessoas traz a esse grupo grande insegurança consigo mesmos, visto que passam a ter uma visão idealizada da beleza humana impossível de ser reproduzida na vida real.

Outrossim, a manipulação da imagem nas redes sociais causa malefícios à saúde mental dos usuários através da demonstração utópica da vida das pessoas. Essa ideia está de acordo com o sociólogo Jean Baudrillard, que atesta em sua teoria do simulacro que as pessoas tendem a mostrar uma imitação da realidade, que por sua vez é uma visão otimista que esconde grande parte das imperfeições dela. Essa tese está fortemente ligada com o problema apontado, pois o compartilhamento de uma variante supostamente perfeita de momentos vividos causa constante comparação entre os espectadores, que infelizmente terminam sentindo as frustrações de ter uma vida imperfeita e real.

Por isso, cabe à escola, instituição formadora de cidadãos conscientes, que alerte os jovens sobre a irrealidade das imagens mostradas em redes sociais, por meio de oficinas e aulas temáticas sobre navegação na internet, para que dessa forma a nova geração esteja ciente que grande parte do que é mostrado para eles é ficcional e, portanto, não devem se comparar com aquilo que veem na internet. Além disso, cabe às empresas responsáveis pelas mídias sociais, a construção de uma navegação que priorize o bem estar dos internautas, por meio da exclusão de ferramentas nocivas aos usuários como embelezadores e recursos de inteligência artificial capazes de notificar quando uma foto sofreu edições, para que dessa maneira os usuários tenham conhecimento de que o conteúdo é manipulado ter sua saúde mental preservada. Desse modo, a sociedade dará mais um passo para dominar as ferramentas de convívio digital enquanto garante a higidez dos indivíduos.