A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 05/07/2021
Segundo Steve Jobs, um dos fundadores da empresa “Apple”, a tecnologia move o mundo. Contudo, os avanços tecnológicos não trouxeram apenas avanços à sociedade, uma vez que bilhões de pessoas sofrem manipulação oriunda de imagens em redes sociais por causa de seu alcance nas plataformas digitais. Nesse sentido, esse processo é executado por empresas que buscam potencializar a notoriedade dos seus produtos e conteúdos no meio virtual e pelos infelizes fatos históricos raciais que que moldaram um padrão de beleza. Sob tal ótica, esse cenário promove uma sociedade psicologicamente doente devido à pressão de ser perfeito igual aos filtros das redes sociais.
Inicialmente, de acordo com Jean Paul Sartre, o homem é condenado a ser livre. Nessa lógica, a manipulação de imagem nas redes sociais por empresas para influenciar o usuário confronta o pensamento de Sartre, visto que o indivíduo tem sua liberdade de escolha impedida pela imposição de conteúdos a serem acessados, ou seja, os cidadãos são obrigados a consumirem e verem somente um padrão de beleza. Dessa forma, a internet passa a ser um ambiente pouco democrático e torna-se um reflexo da sociedade contemporânea, na qual as relações de lucro e interesse predominam sobre a saúde psicológica dos seres humanos. Faz-se imprescindível a dissolução dessa conjuntura.
Além disso, a colonização de países povoados por habitantes de etnia negra e a perseguição nazista as outras raças contribuiram para a pessoa branca ser um padrão de beleza, isso acarretou em indivíduos que buscam esse encanto através de manipulação de imagem nas redes sociais. Nessa ótica, conforme o conceito de “Mortificação do Eu”, do sociólogo Erving Goffman, é possível entender o que ocorre na internet que induz o indivíduo a ter esse comportamento. Tal preceito afirma que, por influência de fatores coercitivos, o cidadão perde seu pensamento individual e junta-se a uma massa coletiva. Dentro do contexto do meio virtual, o usuário, sem perceber, é induzido a reproduzir o que consome, assim, acaba tentando realizar cirurgias e procedimentos estéticos, nos quais coloca sua vida em perigo, para atingir o padrão de beleza estabelecido pela sociedade. Dessa maneira, evidencia-se uma falsa liberdade de escolha quanto ao que fazer no mundo virtual e real.
Portanto, as empresas que vendem os seus produtos nos meios digitais e os infelizes fatos históricos raciais que moldaram um padrão de beleza fomentam a manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental. Desse modo, urge que os Ministétios da Saúde e da Cidadania, responsáveis pela saúde e bem-estar da população, realizem uma conversa com os donos das redes sociais, como o Instagram, para reduzir o envio de imagens com filtros ou de pessoas perfeitas, por meio de uma votação popular sobre essa medida, a fim de diminuir os danos psicológicos aos usuários.