A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 05/07/2021
“Chorou, mas estava invisível, e ninguém percebeu o choro.” Ao sintetizar a indiferença ao outro nesse trecho da obra “Vidas Secas”, o escritor modernista Graciliano Ramos ressalta a ausência de empatia presente nas relações sociais contemporâneas. Contudo, esse desinteresse ao desespero alheio não se limita à arte, já que, na realidade, as vítimas que têm sua saúde mental afetada devido a manipulções de imagens nas redes sociais também têm sido negligenciadas por parte dos governantes e da sociedade, o que dificulta a resolução deste entrave. Nessa perspectiva, é interessante analisar essa questão no Brasil.
Inicialmente, observa-se que o Poder Público apresenta-se inerte ao não combater a manipulação de imagens. Isso porque há uma falha no processo de conscientização, uma vez que falta alertar os influenciadores digitais, por exemplo, sobre a importância de se respeitar a veracidade do que é exposto em suas publicações, o que gera a consolidação de problemas na autoestima dos seus consumidores baseados em algo irreal. Logo, verifica-se que o Estado não tem garantido o bem-estar de toda a população, demonstrando, desse modo, a ruptura dos preceitos previstos na Constituição Federal de 1988.
Além disso, enfatiza-se que a existência de fatos coercitivos tem fomentado essa manipulação. Como prova, verifica-se que o capitalismo tem exercido influência sobre a forma de se produzir anúncios publicitários no Instagram, por exemplo, fazendo com que haja uma distorção excessiva da realidade, ocasionando sequelas nos receptores, como a depressão, por não se encaixarem nesse padrão inexistente. Baseando-se nos estudos do sociólogo Émile Durkheim para compreender esse cenário, nota-se que o real tende a ser “moldado” por meio de um processo de coerção social.
Ressalta-se, em suma, que a manipulação de imagens deve ser supera. Portanto, é necessário exigir que o governo promova a conscientização dos “digital influencers”, priorizando palestras educativas com especialistas da área da psicologia, realizadas em fóruns digitais, com o objetivo de instruair sobre a responsabilidade que eles possuem sobre a manutenção de padrões que afetam a saúde dos seus seguidores. Ademais, é fundamental sensibilizar a população, via campanhas midiáticas produzidas por ONGs, sobre como o sistema capitalista influencia na produção de anúncios publicitários iverídicos com a realidade, a fim de potencializar a mobilização coletiva em prol da neutralização desse fato coercitivo. Dessa forma, a ausência de empatia com o sofrimento alheio poderia ficar restrita ao livro de Graciliano Ramos.