A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 05/07/2021
O cineasta Guy Debord caracterizava a sociedade como “sociedade do espetáculo” , na qual o corpo social tinha o papel de contemplador do conteúdo gerado pela mídia. Na hodiernidade, com o advento das redes sociais, os brasileiros passaram a produzir seu próprio conteúdo a ser contemplado pelos demais. Nesse prisma, a imagem constitui parte desses conteúdos e sua manipulação nessas mídias sociais pode trazer problemas de autoestima, bem como ansiedade e depressão.
Primeiramente, sabe-se que é bastante comum nas redes sociais a manipulação de fotos- com a utilização de aplicativos de “photoshops”, por exemplo. Esse movimento acontece pois as pessoas, insatisfeitas com sua estética, buscam mostrar-se para as outras com a aparência “perfeita”, baseada nos padrões impostos pela mídia. Nesse sentido, como um ciclo, os espectadores veem uma imagem irreal, se comparam, ficam com sua autoestima baixa e fazem o mesmo em seus perfis. Nesse contexto, podem fazer ainda pior que photoshop: a revista VEJA publicou que 55 por cento das rinoplastias feitas recentemente foram para melhorar as “selfies”.
Ademais, convém analisar que, tais imagens irreais como um todo, para além de corpos e rostos, mas também de lugares e situações constituem o que o sociólogo Jean Baudrillard chama de “simulacro”. Esse termo é utilizado para designar que as representações são muito mais interessantes que a realidade. Nesse sentido, é passada a imagem de uma vida perfeita e feliz , o que, mais uma vez, faz as pessoas se compararem e ficaram insatisfeitas com as sua realidade. Esse movimento de insatisfação consigo pode ser um dos gatilhos para a ansiedade e a depressão, problemas que assolam principalmente a geração z- imersa nas redes.
Portanto, dadas as consequências degradantes, é mister que o Governo Federeal mude tal cenário, realizando campanhas nas grandes emissoras, nas redes sociais e nas escolas de conscientização acerca da importância de uma representação verdadeira de si. Isso a fim de minimizar o prejuízo à mental do corpo social. Dessarte, a “sociedade do espetáculo” daria ludar a uma mais real.