A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 06/07/2021
O sociólogo Antônio Cândido defende a tese de que a humanidade vive uma contradição. Para ele, apesar de vivermos o ápice do domínio tecnológico, estamos simultaneamente no máximo de “barbárie”. Essa afirmação se faz verdadeira no que tange à manipulação de imagem nas redes sociais, que traz consigo diversos malefícios à saúde mental. Dentre esses problemas, há a ansiedade causada pela padronização do irreal e a síndrome da decepção continuada.
Em primeira análise, destaca-se o episódio “Nosedive” da série “Black Mirror”, que retrata um cenário distópico, no qual as relações interpessoais e profissionais são mediadas pela pontuação virtual das pessoas. Dessa maneira, a sociedade passa a ser constituída por pessoas artificiais que padronizam um comportamento irreal para conquistar pontos digitais. Analogamente, as atuais redes sociais possuem sistemas de curtidas que, para serem conquistadas, usualmente exigem do usuário um padrão altíssimo de beleza, tornando necessário ao usuário a manipulação de sua imagem por programas de edição ou, até mesmo, filtros automáticos. Desse modo, doenças psicossomáticas, assim como os distúrbios de ansiedade, tornam-se cada vez mais comuns entre essas pessoas, que estão constantementes insatisfeitas com a sua estética.
Em segunda análise, vale ressaltar a síndrome da decepção continuada (explicitada pela psicanalista Andréa Ladislau), em que os usuários de mídia digital passam a se desassociar da sua aparência real, agrandando-se apenas com a sua versão editada. Esse fenômeno pode preceder distúrbios mentais sérios devido à baixa auto-estima como a depressão, uma vez que os indivíduos vinculam-se à imagem editada em seus perfis virtuais, enquanto envergonham-se do reflexo real no espelho. Por conseguinte, as relações sociais passam a ser mensuradas cada vez mais pelo meio digital, o qual infelizmente é artificial e manipulado, prejudicando, assim, de forma crescente a saúde mental dos cidadãos que fazem uso deste.
Portanto, diante disso, é necessário que as empresas de mídia digital promovam a manutenção da saúde de seu usuário. Isso ocorrerá por meio de uma aba de apoio e contato com médicos e psicólogos localizada dentro da função de filtros, visando diminuir os malefícios causados por esses aplicativos a pessoas que manipulam suas fotos. As instituições de ensino, por sua vez, devem assumir seu papel de capacitar cidadãos para a sociedade e instrui-los ao uso saudável das redes. Essa instrução ocorrerá por meio das aulas de biologia e sociologia, que explicarão dentro de sua disciplina os efeitos negativos da padronização no indivíduo e no meio social. Feito isso, nos afastaremos gradativamente da “barbárie” de Cândido sem sacrificar a tecnologia.