A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 06/07/2021

A frase “só se vê bem com o coração,o essencial é invisível aos olhos” presente no clássico conto infantil, O pequeno Príncipe, de autoria do francês Antoine de Saint-Exupéry, mostra aos leitores que a importância das pessoas não está relacionada à aparência delas. Entretanto, lamentavelmente,na atualidade, os usuários de redes sociais hierarquizam as pessoas de acordo com o que é mostrado na internet, mesmo que esse conteúdo seja manipulado e cheio de omissões.Logo, essa realidade traz consequências tanto para os que manipulam sua imagem, pois não aceitam sua aparência, quanto para o público que acredita no que é mostrado nas redes sociais, pois buscam a mesma vida “perfeita”.

Deve-se pontuar, a princípio, que a manipulação da imagem é consequência, principalmente, da pressão estética, a qual exige que as mais diversas pessoas se adequem a um mesmo padrão de corpo e feição, pois apenas dessa forma elas seriam consideradas bonitas. Nessa perspectiva, a música “try” de Colbie Caillat mostra o quanto é imposto, principalmente às mulheres, quando se trata de aparência e todo o esforço que é efeito para tentar mudar sua imagem, o qual se repete nas redes sociais e influencia outras pessoas a fazerem as mesmas alterações. Dessa forma, a alteração da imagem na internet aumenta a insegurança e o descontentamento das pessoas com elas mesmas e propaga um comportamento que prejudica o bem-estar de todos por uniformizar a ideia do que é belo.

Outrossim, o padrão de beleza utópico mostrado na mídia diminui a autoestima das pessoas e faz com que elas não se sintam bem consigo mesmas e, por isso elas buscam ser o que é esperado e elogiado pelo corpo social. Nesse contexto, o sociólogo e psicólogo francês Émile Durkheim,teorizou o “fato social”, que seria a forma de agir, pensar e sentir da sociedade, cuja  característica a coercitiva, impõe o pensamento de um coletivo que  molda a sociedade. Analogamente, na realidade, a mídia impõe um padrão de beleza que não pode ser alcançado e as pessoas exigem a conquista de uma beleza utópica. Destarte, a influência midiática faz com que os indivíduos não se sintam bem com eles mesmos pois até mesmo as pessoas mostradas como padrão tiveram a aparência modificada.

Portanto, indubitavelmente, medidas devem ser tomadas para que a manipulação de imagem não ocorra e as pessoas se sintam bem com sua aparência. É necessário que o Ministério da Educação, em parceria com governos estaduais e prefeituras, atue em escolas e universidades com palestras, atividades lúdicas e incentivo a leitura que valorizem a individualidade tanto física quanto psicológica de cada indivíduo a fim de que as próximas gerações entendam e usem na sua vida a frase do livro “O pequeno príncipe”, e deixem de se preocupar somente com estética. Assim, será possível acabar com a pressão estética e os problemas que ela traz e toda sociedade gozará de uma convivência harmônica.