A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 06/07/2021
No episódio “Queda livre”, da série “Black mirror”, é retratada uma realidade na qual pessoas vivem segundo uma grande rede social, que rege suas interações e controla cada paradigma a ser seguido. Fora da ficção, nota-se que, atualmente, a grande teia virtual de comunicação tem manipulado a aparência e afetado o domínio mental dos cidadãos que tentam seguir o estereótipo da tecnologia. A partir desse viés, é válido analisar a manipulação do padrão da sociedade segundo as teias virtuais e o psicológico daqueles que impõem a si essa condição idealizada.
De início, segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, o que é criado para ser um instrumento democrático não deve ser convertido em ferramenta de manipulação. Diante dessa perspectiva, percebe-se que os meios disponíveis para a disseminação de imagens nas redes sociais não devem ser usados como modo de manipular a vida dos usuários, pois, antes de tudo, é uma ferramenta de uso coletivo, a qual deve estimular a interação de diversos perfis, não a idealização de aparências e comportamentos. Desse modo, vê-se que há um manejo da massa social, a qual é submetida a uma padronização estética silenciosa que se infiltra na mente do cidadão e controla-o conforme a sua necessidade. Tal resultante culmina no exposto pelo filósofo Foucalt, a docilização do corpo: esse que é subjugado a um mecanismo de poder controlador, ficando à mercê de seus paradigmas.
Ressalta-se, ainda, que o impacto da padronização estética forçada, vista nas redes sociais, afeta a saúde mental do indivíduo. De acordo o Jornal Brasileiro de Psiquiatria, o exposto na rede social está associada à insatisfação da imagem corporal dos adolescentes. Diante disso, vê-se que os impactos psicológicos gerados na mente do cidadão faz com que ele sinta-se inferior ao observado, fazendo com que haja uma busca incessante pelo padrão massificado. Assim o molde criado nessas plataformas de interação invade o homem, desgastando-o por acompanhar o ritmo imposto pela minoria influenciadora. Desse modo, à luz do filósofo Chul Han, ocorre o fenômeno da sociedade do cansaço, o qual pessoas tentam seguir a marcha social: sempre felizes e dentro da tipificação exigida. Então, o âmbito psicológico é afetado, sofrendo por não alcançar o que é visto nas páginas virtuais.
Portanto, nota-se que é imprescindível que seja revisto o uso e os impactos das redes sociais na vida do indivíduo. Para tanto, é preciso que a coordenação de ensino pedagógico dos centros educacionais instruam seus alunos acerca do uso das redes sociais, com a realização de palestras com psicólogos e psiquiatras, que discutam sobre esse meio e o modo de utilizá-lo sem que haja prejuízos psicológicos, a fim de que seja preservada a saúde mental dos usuários e não haja controle por essa plataforma virtual. Dessa maneira, então, a realidade de “Queda livre” não será a da sociedade atual.