A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 07/07/2021

O documentário “O dilema das redes”, produzido pela Netflix, demonstra como funcionam os mecanismos utilizados pelas empresas de tecnologia no que diz respeito ao controle comportamental dos usuários de aplicativos através da manipulação de imagens. De forma análoga, no Brasil, é perceptível como os cidadãos são facilmente influenciados por padrões determinados pelas redes sociais e os impactos negativos na saúde mental dos indivíduos. Nesse sentido, convém analisar como esse estilo de vida se consolidou, bem como a influência maléfica desses artifícios na vida dos brasileiros.

Em primeira análise, é válido ressaltar que advento da Revolução Técnico-Científico-Informacional, ocorrida no século XX, foi responsável por aumentar expressivamente a relevância dos meios de comunicação, além de inserir a internet e as redes sociais no cotidiano das sociedades contemporâneas. Com isso, as mudanças foram positivas a priori; atualmente, todavia, é nocivo o fato de que nem todos sabem manejar essas ferramentas de forma adequada. Hoje, com essa profunda imersão, os aplicativos captam as preferências daqueles que os utilizam e manipulam o modo de apresentar as informações, o que resulta na criação de uma bolha que aliena os usuários. Sob essa óptica, eles acabam por limitar o conhecimento acerca de novas perspectivas e, por isso, torna-se evidente que a má utilização desses artifícios compromete não só a rotina dessas pessoas, mas também o desenvolvimento de habilidades em outras áreas do saber.

Cabe ressaltar, ainda, a perspectiva do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, o qual frisa que a liquidez da sociedade moderna está pautada em um mundo ilusório criado pelas redes sociais. Desse modo, como uma forma de superar o exaustivo modo de vida hodierno, os usuários determinam padrões para chegar à perfeição, e isso é feito por meio da manipulação das imagens, que visam à demonstração, nas redes sociais, de uma vida feliz e sem adversidades. Todavia, esse controle de aparências resulta na formação de uma sociedade padronizada e doentia mentalmente, pois as pessoas romantizam uma “fórmula” como o exemplo a ser seguido e deixam de lado as diferenças individuais de cada ser humano, as quais constituem uma sociedade heterogênea e plural.

Portanto, infere-se o poder de manipulação exercido pelas mídias sociais e as suas implicações maléficas sobre a vida dos cidadãos brasileiros. Sendo assim, urge que o Governo Federal, mediante uso de verbas públicas e da própria mídia, desenvolva propagandas que discutam sobre a diversidade, como uma forma de alterar essa mentalidade de padronização, a fim de mitigar as consequências negativas da manipulação de imagens nas redes sociais e incentivar o respeito às diferenças.