A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 21/07/2021

Durante o Absolutismo francês — regime em que o rei era tido como divino e estava acima das leis —, a imagem do governante era extremamente importante. Nas pinturas, Luís XVI, Rei Sol, foi pintado como mais alto, forte e ereto do que realmente era para garantir duas coisas: poder e superioridade. Nesse viés, na atualidade, as telas e tintas foram trocadas por selfies e as redes sociais, como o Instagram, com suas fotos manipuladas por filtros, ajudaram a criar uma sociedade performática. Todavia, perpetuou-se, então, um padrão estético irreal e inalcançável, o que gerou problemas à saúde mental dos usuários.

A princípio, é importante pontuar que os efeitos usados nas redes sociais propagam um ideal de beleza que, tido como “perfeito”, não é possível de se alcançar pela grande maioria das pessoas. Sob essa ótica, João Luiz, ex-participante do reality Big Brother Brasil, usou de sua influência para desabafar sobre seu descontentamento com os filtros do Instagram que afinam os traços fenotipicamente negros, como nariz e lábios. Nessa perspectiva, é incoerente que esses artifícios permaneçam na plataforma digital, pois é nitidamente excludente com a estética de inúmeros indivíduos e se mostra um grave problema social. Assim, enquanto a manipulação de imagens for a regra, a plena representatividade será a exceção.

Por conseguinte, é necessário ressaltar que com esses efeitos promovendo a perfeição, há grandes chances de os usuários das redes terem seus psicológicos afetados. Nessa perspectiva, a Universidade de Stanford publicou uma pesquisa que mostrou que, em 2019, os jovens que passavam mais de 2h diárias online tinham 27% a mais de chance de desenvolverem depressão. Com isso, é notório o papel preocupante das plataformas digitais e seus conteúdos, pois, ao incentivar estéticas irreais, instigará a comparação e a frustração dos indivíduos, que terão sua autoestima abalada e poderão desenvolver danos mais sérios a longo prazo. Dessa forma, é importantíssimo que os filtros em fotos se desvinculem dessa cadeia de malefícios.

Portanto, é perceptível que as redes sociais, com suas imagens distorcidas da realidade, podem ser prejudiciais à saúde mental dos usuários. Logo, urgem que tais canais — como o Instagram — atenuem a propagação do padrão perfeito, por meio do banimento de filtros harmonizadores que exaltem uma estética ideal, para que as pessoas diferentes desta não se sintam diminuídas. Além disso, os influenciadores digitais, unidos à psicólogos, devem discutir sobre a autoestima na “era das selfies”, para que os indivíduos se sintam bem como são e as horas online não sejam mais maléficas ao bem-estar pessoal.