A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 22/07/2021

Na obra “Cidadão de Papel”, o autor Gilberto Dimenstein aponta para a ineficácia da “Constituição Cidadã”, que, embora apresente complexidade e completude na teoria, não é eficiente na prática. Tal apontamento é evidente no que tange ao Artigo 6º da Carta Magna, que, teoricamente, entre outros direitos, garante saúde e educação para a população, mas, na realidade, esses direitos são deturpados quando se trata da ausência de conhecimento a respeito da manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental. Com efeito, cabe analisar o papel da negligência estatal e da visão capitalista midiática nessa conjuntura.

A princípio, é válido destacar que os meios digitais fazem parte do cotidiano da “Geração Z” - nascidos durante a “Revolução técnico-científica-informacional”. Nesse sentido, as inovações tecnológicas são rapidamente integradas na rotina desses cidadãos - como filtros de embelezamento estético em redes sociais -, que não são instruídos sobre as consequências do uso desses meios. Nessa lógica, segundo o jornalista brasileiro Caco Barcellos, “a culpa não é de quem não sabe, é de quem não informa”. Sob essa óptica, é evidente que o Estado falha em cumprir com a constituição, haja vista que é negligente no que concerne a conscientizar os cidadãos  sobre os perigos do consumo de imagens manipuladas pelos filtros das mídias sociais, que criam uma distorção irreal da realidade e, por conseguinte, frustram a saúde mental de quem as consome e anseia por alcançar o patamar - inatingível - visualizado nas redes. Assim, a dignidade de toda a população é frustrada.

Ademais, é fato que a busca incessante por lucro, realizada pelas empresas de tecnologia, caracteriza desprestígio à nação. Diante desse cenário, de maneira disruptiva com o padrão dessas companhias, a rede social “Pinterest” proibiu publicações que incentivam o emagrecimento e a realização de procedimentos estéticos, essa atitude tem como finalidade a exclusão de um modelo de vida utópico e a manutenção da saúde mental dos usuários da rede. Entretanto, é notório que a maior parte das mídias sociais ainda opta pelo capital - gerado, principalmente, por propagandas que vendem o irreal - em detrimento do bem-estar da coletividade.

Urge, portanto, que, para que o Artigo 6º da Magna Carta seja efetivado em sua completude, o Ministério da Educação - enquanto órgão que tutela os conhecimentos disponíveis à população - atue nas escolas e comunidades, por meio de palestras com profissionais da área da psicologia, de forma a divulgar os riscos de manipular e consumir imagens manipuladas nas redes sociais para à saúde mental. Outrossim, é imperioso que as mídias sociais, que manipulam a realidade com seus produtos, sejam multadas pelo Estado, uma vez que isso fere um direito constitucional - à saúde.