A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 23/10/2021

Na Idade Média, o pintor Leonardo da Vinci criou o “Homem Vitruviano”, obra que exaltava um corpo perfeito e idealizado segundo os modelos estéticos da época. De maneira análoga, no Brasil contemporâneo, as redes sociais contribuem para a disseminação de um padrão de beleza diferente da realidade, visto que há filtros e edições que manipulam a imagem das pessoas e que não valorizam a diversidade de aparências que existem na sociedade. Com isso, ao perceber que o que é visto on-line não é tangível fora das telas, os indivíduos podem desenvolver problemas de saúde mental, além de serem influenciados a realizar procedimentos invasivos, o que resulta da baixa representatividade e da falta de conhecimento sobre a situação, o que deve ser observado.

Em primeiro lugar, vale salientar que o psicólogo norte-americano Abraham Maslow defendia que o ser humano tem uma constante necessidade de pertencer a um grupo. Somado a isso, é notório que a mídia tem um papel na perpetuação de um padrão de beleza restrito a poucos, na medida em que séries, fimes e comerciais de televisão mostram, em maioria, pessoas brancas e magras, o que não corresponde à diversidade étnica da população brasileira. Assim, a ausência de representatividade nos meios de comunicação faz com que algumas pessoas utilizem filtros nas redes sociais para que se sintam incluídas, o que invalida sua aparência natural e é danoso para a sua saúde mental.

Ademais, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, em 2020, o Brasil foi o país com a maior taxa de pessoas ansiosas do mundo, o que torna nítido que o bem-estar psicológico dos brasileiros é negligenciado. Dessa forma, é possível inferir que a população está suscetível à ocorrência e ao agravamento de doenças mentais, cenário que é favorecido não só pela manipulação de imagens no ambiente virtual, mas também por depoimentos de influenciadores digitais, como a cantora Anitta, ao falarem sobre cirurgias plásticas sem se atentar à sensibilidade do assunto. Em síntese, é imprescindível que não haja normalização de procedimentos estéticos invasivos, e sim valorização de todas as formas de beleza.

Isto posto, fica claro que a tomada de medidas que minimizem os impactos negativos da alteração de imagens nas redes sociais sobre a saúde mental é necessária. Para isso, é fundamental que o Ministério da Saúde veicule campanhas midiáticas na televisão aberta, em horário nobre, com declarações de psicólogos sobre a seriedade de intervenções plásticas para levar conhecimento ao povo. Além disso, é essencial que a Secretaria da Cultura de cada estado fiscalize ações publicitárias de empresas públicas e privadas, de modo a assegurar a representatividade de diversas etnias e tipos físicos. Dessa maneira, não haverá mais um padrão como o demonstrado por Leonardo da Vinci.