A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 05/08/2021

O movimento antropomórfico, acontecido no Renascimento por volta do século XV, trouxe a obra “O homem Vitruviano” de Leonardo da Vinci que representava o ideal clássico de beleza e equilíbrio do homem. Nos dias atuais, através das redes sociais é possível perceber que cada vez mais a sociedade tentar se encaixar no ideal de perfeição que é manipulado e disseminado nas mídias. Nesse contexto é nítido que esta busca pelo padrão imposto vem causando cada vez mais problemas relacionados à saúde mental da população.

Primordialmente, é importante destacar que o que é mostrado através dos aplicativos sociais pode ser facilmente manipulado e editado, mostrando somente um lado bom, transmitindo muitas vezes uma falsa felicidade. Segundo Carlos Drummond de Andrade, ninguém é igual e todo ser humano é um estranho ímpar, ou seja, tem suas próprias singularidades, sem necessidade de se enquadrar em um modelo pronto que é retratado desde o século XV, por Leonardo da Vinci. Assim, é fato que estratégias devem ser formuladas e colocadas em prática para que haja uma atuação sobre o tema.

Em consequência disso, os indivíduos vem desenvolvendo cada vez mais problemas mentais, principalmente transtornos alimentares, na tentativa de ter a vida e corpo perfeito demonstrado nas redes sociais. De acordo com o psicanalista Massimo Recalcati, os transtornos são um reflexo da angústia dos jovens em busca de alguém que os represente. Seguindo esse pensamento, é fato que a maioria das pessoas que possui personalidade e aparência no qual não são aceitos pela ditadura da perfeição são consideradas inferiores e deixados de lado,

Em virtude do que foi mencionado, é mister que o Estado interfira na situação para reverter o quadro atual. Para que a problemática abordada sobre a manipulação de imagem nas redes socais e seus malefícios a saúde mental seja solucionada, urge que o Ministério das Comunicações realize campanhas nos aplicativos e mídias mais acessados com intuito de conscientizar os usuários acerca do uso exacerbado dos mesmos e alertando sobre como podemos facilmente manipular imagens e vídeos através destes aplicativos. Estas campanhas devem ser chamativas e com linguagem informal, atraindo assim os jovens, o grupo alvo de tal campanha, fazendo com que entendam que suas imperfeições nos fazem únicos ou um estranho ímpar, como citou Drummond de Andrade.