A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 07/08/2021

“Perfect Blue”, de Satoshi Kun, narra a história de Mima Kirigoe, uma cantora que vive o estrelato e a fama japonesa. Durante a narrativa, é notório que, além da história principal, o filme faz questão de demonstrar a pressão que as “idols” japonesas sofrem em relação a sua aparência, servindo aos fãs em todos os níveis. Em paralelo, apesar do retrato dos anos 90, “Perfect Blue” se mantém atual: a manipulação de imagem e a busca pela perfeição pessoal ainda são fato, dessa vez apoiadas também nas redes sociais. Então, faz-se míster o debate: o supracitado causa malefícios à saude mental?

Primeiramente, vale apontar que a busca por padrões de beleza sempre foi notável em toda a sociedade. Indo da deusa Afrodite até as supermodelos altas e extremamente magras, a propagação de tais ideais na TV e pelo mundo sempre foi preocupante. No entanto, quando relacionado à internet, o impacto se expande, devido a facilidade de alcance e os avanços tecnológicos, semeando um modelo eurocêntrico de beleza e uma felicidade irreal. Fato esse é corroborado pelo episódio “Nosedive” de Black Mirror, em que, como uma crítica às redes sociais, o roteiro desenvolve uma personagem obcecada pela vida da antiga melhor amiga, essa que é considerada linda e está sempre divulgando detalhes da sua vida “perfeita”, o que não só deprime Lacie, a protagonista, mas também a enlouquece.

Ademais, o já referido também torna fato que a divulgação de corpos irreais - muitas vezes alterados com uso de filtros ou aplicativos - e a falsa perfeição - feita para se encaixar num belo “feed” - ocasionam diversas problemáticas para o ser humano. Como dito pelo escritor Jean-Paul Sartre, o homem é condenado a ser livre. Contudo, as redes sociais, atualmente, estão trabalhando para contradizer o pensador; desse modo, é irrefutável que amarras estão cada vez mais sendo postas nos cidadãos, os obrigando a seguir os padrões impostos pela internet. Porém, apesar de conseguir se alterar na “web”, isso não passa de mera realidade programada, decepcionando a vítima. Em vista disso, infere-se que a manipulação de imagens causa diversos danos à saúde mental, medidas sendo indispensáveis.

Logo, é dever do Ministério da Educação (MEC) atuar realizando, com maestria, campanhas que visem a quebra dos padrões de beleza, mostrando para o cidadão que ele não precisa se adequar às falsas normas impostas por aplicativos como o Instagram e o Facebook, diminuindo o impacto da redes e, consequentemente, os danos da manipulação de imagem. Fora isso, o governo federal deve firmar suas leis, impondo multas à mídia, como a televisão, e a tais “apps” já ditos, exigindo a diferenciação do que é uma foto editada da realidade e estimulando o uso consciente das redes sociais. Isto posto, o Brasil se afastará da ficção de “Perfect Blue”, podendo avançar no que tange a população.