A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 05/09/2021

Em sua música “Pretty Hurts”, a cantora norte-americana Beyoncé retrata uma crítica às tentativas exarcebadas dos indivíduos em se encaixarem no padrão estético imposto pela sociedade. Em consonância com a realidade da canção, está a de muitos usuários virtuais, os quais utilizam-se da manipulação de imagem nas redes sociais a fim de alcançar tal parâmetro. Dentre os fatores que intensificam tal contexto, destacam-se a imposição de padrões de beleza cada vez mais inalcançáveis pelas mídias sociais e a submissão à cirurgias de alto risco ou invasivas, desnecessariamente.

Convém ressaltar, mormente, a determinação de um molde de beleza utópico pelas mídias sociais como um entrave. Segundo uma pesquisa realizada pelo Royal Society for Public Health, somente 10% dos jovens entrevistados não utilizam nenhum tipo de rede social. Dessa forma, grande parte da população é constantemente exposta a corpos com aparências surreais, criando assim uma falsa ideia de que pessoas que diferem do padrão estético são inferiores, causando, consequentemente, problemas de auto-estima e vulnerabilidade psicológica. Diante dessa óptica, torna-se incontestável a relevância e necessidade de compartilhamento de corpos e rostos “reais” para o bem-estar mental de toda a população.

Ademais, um outro ponto a ser destacado consiste na realização de procedimentos estéticos arriscados, somente a fim de alcançar tal molde. Nesse sentido, cabe destacar o sociólogo Émile Durkheim, o qual em sua definição de “fato social”, afirma que as ações dos indivíduos são moldadas por influências do meio social exterior. Diante disso, é possível notar que alterações realizadas no corpo por meio de cirurgias vêm se tornando uma espécie de tendência entre os internautas, que  encontraram nisso uma forma de se enquadarem no padrão estético existente. Assim, além do sofrimento ao tentar equiparar-se com o corpo “perfeito”, que sequer natural é, esses indivíduos acabam pondo em risco sua saúde física.

Depreende-se, portanto, a necessidade de resolução das problemáticas intensificadoras da manipulação de imagem nas redes sociais. Nesse viés, cabe ao Ministério da Saúde, aliado ao da Tecnologia, a implementação de regras comportamentais mais severas nas mídias sociais e a inclusão de pessoas de todas as formas e traços, de dentro e fora do padrão, em publicações mais relevantes. Isso será feito mediante a imposição de normas preventivas sobre o uso de filtros e aplicativos de edição, além da realização de acordos com as empresas proprietárias, a fim de garantir uma maior integração dos usuários e um melhor quadro de saúde no país. Por conseguinte, a canção de Beyoncé não mais representará a realidade das gerações futuras.