A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 03/09/2021

Na antiguidade grega, originou-se o conceito de estética, juntamente com as ideias de perfeição e beleza, que estiveram relacionadas à manifestação da inspiração divina e harmonia natural. Entretanto, no cenário atual é evidente uma distorção em tais significações, distanciando-se das definições gregas e sendo altamente influenciadas pelas opiniões das mídias, impondo padrões rígidos aos usuários desses meios. Nesse sentido, vale discutir sobre a causa da manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental.

Pode-se postular, de início, a padronização da beleza como principal causa da modificação de imagens, submentendo corpos diferentes à opressão. Neste viés, o artigo “Selfie harm”, da psicóloga Jennifer Mills, revela que compartilhar fotos nas redes socias torna as pessoas mais ansiosas e insatisfeitas com o próprio corpo. Assim, procurando pertencer ao preceito estético da modernidade, vítimas dessa angústia optam por apagarem suas individualidades e corrigirem suas “imperfeições” para a aceitação no meio virtual. Desse modo, para que a problemática seja revertida, é importante procurar por formas inteligentes de apagar a ideia da idealização corporal da mente do povo.

Ademais, a manipulação das fotos também traz malefícios na saúde mental dos que evidenciam e participam da prática. A exemplo isso, um estudo da Royal Society for Public Health, do Reino Unido, apontou que o Instagram é o aplicativo que mais desencadeia problemas de autoimagem, sendo prejudicial à autoestima dos usuários. Sob essa óptica, o culto ao corpo perfeito, realizado principalmente por influenciadores digitais, é o grande responsável pela construção de uma imagem inalcançável de beleza, degradando a situação psicológica daqueles que tentam de tudo para  inserirem-se no padrão, além de desencadear depressão, disturbios alimentares, entre outras doenças. Tendo ciência disso, os paradigmas doentís do mundo contemporâneo ainda farão muitos de vítima até que essa ideia seja desconstruída.

Mediante aos fatos expostos, é evidente, portanto, buscar por soluções eficazes para as consequências que a maniulação de fotos traz para a autoimagem grande parte da sociedade. Para isso, cabe às impresas que gerenciam as redes sociais, à exemplo do Facebook, juntamente com técnicos de construção de software desmistificarem a idealização corporal promovida de maneira tóxica nos ambientes virtuais, por meio da elaboração de um algorítimo que identifique o uso de “photoshop” nas imagens que circulam pelos sites. Com efeito, enfim, será possível diminuir as pressões psicológicas impostas sobre as aparências, gerando aceitação das individualidades do ser e retomando o conceito de beleza da antiguidade grega.