A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 10/09/2021
A família Kardashian, reconhecida internacionalmente por sua beleza, manipula sua imagem ao postar fotos nas redes sociais. Dessa forma, pessoas as quais elas inspiram almejarão alcançar esse padrão de corpo editado, fazendo com que se frustrem. Por isso, faz-se necessário abordar sobre como a manipulação de imagem nas redes sociais afeta a saúde mental, podendo levar à baixa autoestima, à ansiedade, à depressão e à busca por cirurgias estéticas.
Em primeiro plano, vale ressaltar que, ao publicar em mídias sociais, deseja-se mostrar uma aparência perfeita. Nesse sentido, o filósofo francês Guy Debord criou o conceito de “Sociedade do espetáculo”, o qual se refere a transformar atividades cotidianas em espetáculo, ou seja, a sociedade não vive mais em função de si, mas em função de impressionar o outro e, nas redes sociais, essa busca por impressionar se dá através de filtros e ferramentas de edição de fotos. Porém, essa modificação excessiva pode ter efeitos sobre a saúde mental, porque a pessoa deseja que o corpo editado da rede social seja o seu corpo real, fazendo com que ela se frustre consigo mesma e desenvolva problemas de autoestima. Logo, essa característica de viver de aparências na internet resulta em problemas transcendentes a ela.
Ademais, o uso excessivo de filtros e de aplicativos de edição de imagem, como “photoshop”, aumenta a busca por cirurgias estéticas e a dismorfia corporal. Nesse contexto, segundo um estudo realizado pela Academia Americana de Cirurgiões Plásticos, a motivação de 55% das pessoas que fizeram rinoplastia em 2017 foi o desejo de sair melhor em “selfies”, além disso, vê-se, cada vez mais, a baixa autoestima e a depressão ligadas às gerações “nativas” do mundo digital. Assim, observa-se que o “exibicionismo digital” gera uma necessidade de mudança corporal a fim de alcançar o padrão estético vigente na sociedade. Destarte, é de extrema importância que esse assunto seja amplamente debatido nos espaços públicos e nos meios midiáticos, para, dessa forma, conscientizar as pessoas sobre essa problemática.
Portanto, pode-se afirmar a existência de uma relação direta entre manipular a imagem nas redes e problemas relacionados à saúde mental. Por causa disso, é mister que os donos das redes sociais, juntamente a pessoas de influência, realizem campanhas sobre alteração do corpo, por meio de postagens e propagandas que abordem o tema da autoaceitação e da saúde mental, além disso, deve-se exigir que seja sinalizado em fotos se aplicativos como “photoshop” foram utilizados para alterar o corpo da pessoa, a fim de que o “exibicionismo digital” seja colocado em pauta para combater o padrão estético irreal das mídias sociais. Dessa maneira, a sociedade viverá em função de si e não mais em função de impressionar o outro mudando o conceito da “Sociedade do espetáculo”, de Guy Debord.