A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 04/09/2021
“Não seja dramática, é só uma plástica. Ninguém irá te amar se você não for atraente.” Os versos da canção “Mrs. Potato Head” da cantora norte-americana Melanie Martinez retratam as dificuldades enfrentadas por uma sociedade que idealiza padrões de beleza inalcançáveis. De forma análoga, pode-se relacionar a questão da música à realidade vista nas redes sociais, onde as imagens são manipuladas para parecerem “perfeitas” e corroboram malefícios à saúde mental dos nativos digitais. Dessa forma, é preciso analisar as causas desse empecilho, incluindo o poder da indústria midiática e a idealização das cirurgias plásticas.
Convém destacar, mormente, que as redes sociais impuseram padrões estéticos irreais, principalmente por meio de filtros. Nesse viés, o escritor Guy Debord disserta em seu livro “Sociedade do Espetáculo” sobre como o modelo digital atual é responsável por criar espectadores de vidas e corpos idealizados, e como aos poucos essa posição de contemplação afeta a saúde mental indivíduos. Prova disso é vista diariamente, quando os usuários são expostos a filtros que impõem padrões “sem defeitos”, levando-os a acreditar que aquilo visualizado é o ideal. Logo, fica evidente que essa forma de manipulação da imagem coloca os “espectadores” como insuficientes e, ao se compararem com o inalcançável, passam a ter distorções depreciativas que afetam a saúde mental de forma maléfica. Outrossim, é igualmente preciso apontar que a idealização das cirurgias plásticas influencia o comportamento adotado nas redes sociais. Nesse sentido, a ISAPS indica que o Brasil é o país que realiza o maior número de cirurgias plásticas no mundo. Causa disso vem principalmente do culto ao corpo enraizado na sociedade, que vem crescendo cada vem mais com o uso das mídias digitais. Sob essa ótica, o desejo pelos procedimentos se reflete no uso dos filtros, que simulam os resultados obtidos pelas cirurgias plásticas e causam ainda mais danos à autoestima e à individualidade de cada um. Dessa maneira, é preciso orientar a sociedade digital para compreender os limites entre estética e saúde e, por meio disso, desconstruir o comportamento danoso à mentalidade.
Constata-se, portanto, que muitos usuários levam o visual dos filtros e das imagens manipuladas para vida real, idealizando padrões e procedimentos estéticos desnecessários. Por isso, cabe à mídia, incluindo os representantes das principais redes sociais como Instagram e Snapchat, promover campanhas publicitárias de autoaceitação, por meio de publicações nas redes, a fim de construir uma visão que aceita pluralidade e prioriza a saúde mental. Assim, será possível cultivar uma sociedade mais saudável e diminuir os impactos da manipulação de imagem, retratados na música “Mrs. Potato Head”.