A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 06/09/2021

Mostrou-se evidente que muitas pessoas transferiram parte de suas relações sociais para o meio digital. Além disso, as redes sociais conseguiram introduzir comportamentos diferentes nos usuários já que transladou a sociedade das ruas para suas respectivas casas. Porém, existem aspectos dos meios digitais que são pouco trabalhados no debate público, como o uso de imagem e a manipulação da mesma. O fato de que as redes sociais captam as imagens de seus usuários e fazem delas o que lhes convier acaba resultando em impactos psicológicos que podem tomar proporções irremediáveis. A discussão e análise dos fatos se faz imprescindível.

Em um primeiro momento, é fulcral definir a atuação das grandes redes de comunicação digital em se tratando de imagem. Dissecando um caso famoso de manipulação, a Cambridge Analytica, empresa de marketing político, usou dados obtidos pela Facebook para fins de propaganda politica que favoreceria posteriormente a performance do candidato às eleições americanas Donald Trump a vencer a democrata Clinton. O valor que o caso tem ao debate é incomensurável e traz a seguinte reflexão: A política de privacidade das redes sociais ainda passam por um estágio embrionário, visto que excluem a posição humana de seus usuários fazendo deles apenas números ou dados mas ainda sim, divulgando a imagem dos mesmos em um ambiente que supostamente seria privado.

Outrossim, os problemas não findam quando se compartilham imagens não consentidas já que muitos que possuem seus direitos de privacidade violados nem imaginam que o tenham sido rotos. Diferentemente da maioria dos casos, um que ficou famoso foi o de Tatiana, uma moça colombiana que teve um vídeo seu dançando usado como propaganda pelo aplicativo chinês Kwai. A internauta relata que não possui conta no referente aplicativo e nenhum vínculo estabelecido, mas que mesmo assim, sem permissão, teve sua imagem divulgada para milhões de espectadores. O caso de Tatiana propõe que os internautas que decidem se expor na internet precisam ter cautela quando o fazem visto que os impactos da exposição podem trazer marcas de difícil remoção na saúde mental de pessoas que nem sempre possuem o discernimento correto para lidar com tal entrevero.

Permite-se concluir que os meios digitais de comunicação devem ser encarados com seriedade. Cabe ao corpo cívico que propague por meio do debate a necessidade de cautela na exposição pessoal de mídias sociais. Cabe também ao parlamento brasileiro, instituição responsável por atender os interesses do povo, que formule leis mais enérgicas para combater o vazamento de dados com o fito de proteger o caráter anônimo a que todos têm direito.