A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 10/09/2021
De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, vive-se num atual período de “modernidade líquida”, cujas novas tecnologias, sobretudo a internet, causam a dissociação dos laços afetivos e o afastamento entre as pessoas, ainda mais perceptível na atual geração Z, os nativos digitais. Este isolamento ocorre devido ao efeito manada presente nas mídias, pelos usuários tentarem mostrar um momento de felicidade por meio de uma imagem. Por conseguinte, mais internautas buscam se comparar aos outros, mostrando alguma situação agradável do cotidiano mesmo que momentânea.
Precipuamente, as relações familiares são as mais afetadas com o uso excessivo das redes sociais, cuja estrutura se deteriora pelos próprios membros entre si assim, propiciando o desenvolvimento de mazelas mentais, como a depressão. Segundo um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de pessoas com esta doença aumentou, aproximadamente, em 5% nos últimos dez anos, culminando com o período em que houve maior influência da tecnologia sobre a sociedade. Somado a isso, surge o medo de ficar sem aparelho móvel, a nomofobia, consequentemente o vício do uso de celulares e computadores que, ou como forma de punição ou como uma ajuda mais incisiva, gera atritos entre os membros da família.
Outrossim, percebe-se a mania junto à necessidade de usar uma imagem, somente a aparência, para representar alguma condição sentimental e, consequentemente, deixar o narcisismo superar o real subjetivismo do usuário. Assim, cria-se um ciclo de postagens falsas sobre a realidade do indivíduo visando a sensação de acolhimento e pertencimento por se igualar aos outros membros das redes, tornando-se até mesmo parâmetro que inpira outros usuários a praticarem as mesmas atitudes. Fato que é um assunto negligenciado pelas escolas, lugar onde a maioria faz parte dos nativos digitais. Este descaso se faz presente pela falta de psicólogos e psicopedagogos no ambiente escolar e da abordagem sobre o assunto pelos professores em sala de aula mostrando-se como entraves ao tratamento adequado de doenças mentais e problemas com autoestima.
Em suma, o suporte familiar se mostra fundamental em relação ao tratamento destas enfermidades, podendo atuar à modo eficiente ou inapropriado, já as escolas, com o devido investimento, devem estabelecer mais relações saudáveis entre os colegas, pois estão, não somente ensinando os alunos a passarem no vestibular, como também criando cidadãos para o mundo. Como prevê a Constituição Federal de 1988, no artigo 205: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.