A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 06/09/2021

Em um dos episódios da série “Black Mirror”, é mostrada uma realidade distópica onde todas as relações humanas são advindas do meio online. Nesse enredo, as pessoas têm uma avaliação média diária das fotos que postam na internet, o que leva muitos indivíduos a alterarem virtualmente sua aparência física para obter uma melhor aceitação. Fora da ficção, tal atitude é análoga à dinâmica das mídias sociais atualmente, visto que a maioria dos usuários tornaram-se suscetíveis a edições de fotos e vídeos visando se encaixar no padrão de beleza digital. Esse cenário torna imprescritível a análise tanto das causas da manipulação de imagens nas redes sociais, quanto os malefícios à saúde mental.

Nessa perspectiva, constata-se que a imposição de um ideal de beleza inalcançável na internet obriga inúmeros indivíduos a manipularem suas feições. Diante disso, o surgimento de influenciadores digitais cujo conteúdo baseia-se na exposição de um visual sempre alinhado com aspectos físicos irreais, aliado a grande influência midiática na sociedade atual, populariza o uso de filtros os quais alteram a aparência das pessoas. Isso pode ser exemplificado com o caso da cantora Billie Eilish, que sempre vestia roupas largas publicamente para se proteger de comentários sobre seu corpo teoricamente imperfeito. Logo, de maneira contraditória, esses influenciadores tornam seu público dependente de filtros e edições de fotos, embora omitam que também utilizam desses recursos em seus conteúdos.

Ademais, é lícito afirmar que a manipulação de imagens na internet gera malefícios à saúde mental de quem faz uso dessa prática. Nesse viés, o sociólogo francês Pierre Bourdieu, em sua teoria sobre a violência simbólica, revela que a violação humana não se resume apenas a agressão física, mas também a violação verbal, psicológica e moral. Nesse viés, depreende-se que os usuários dependentes da alteração de imagens são vítimas de uma violência simbólica, uma vez que estão sujeitos a desenvolverem problemas de autoestima quando expõe seus traços físicos sem nenhuma alteração, pois sofrem insultos recebidos pela fuga dos padrões estéticos. Por conseguinte, doenças mentais como ansiedade e depressão são algumas das consequências às quais essas pessoas estão sujeitas.

Ratifica-se portanto, que a exposição de belezas irreais por influenciadores digitais agravam o problema da manipulação de imagens, e que a disseminação de doenças mentais é ocasionada por esse mal. Com isso, cabe aos desenvolvedores das redes sociais introduzirem ferramentas, por meio de atualizações, que informem obrigatoriamente quando fotos e vídeos postados passarem por filtros ou edições (projeto semelhante a uma lei norueguesa que possui essa mesma finalidade). Tal medida motivará os usuários a postarem fotos suas sem nenhuma alteração, dado que saberão da irrealidade dos padrões a que estão expostos, o que distanciará a distopia de Black Mirror da realidade.