A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 05/09/2021
A partir da mecanização da produção, o estímulo ao consumo tornou-se um fator primordial para a manutenção do sistema capitalista. Assim, de acordo com o pensador revolucionário do século XIX, Karl Marx, para que esse incentivo ocorresse, criou-se o fetiche sobre a mercadoria: constrói-se a ilusão de que a felicidade seria atingida a partir da compra de um produto. Tal pensamento, mostra-se circunjacente na sociedade pós-moderna no tocante à manipulação da imagem nas redes sociais, que emerge uma pós-verdade, em detrimento da saúde mental, sobretudo de jovens.
Diante dessa linha de raciocínio, é precípuo proclamar que com a consolidação da era digital, e a ascensão das mídias sociais, notou-se uma expressiva alta em patologias psicológicas como a depressão e a ansiedade. Segundo estudo da Royal Society for Public Health, as taxas de transtornos de ansiedade e depressão entre jovens de 14 a 24 anos aumentaram 70% nos últimos 25 anos. Os pesquisadores ainda concluíram que o resultado é fruto do compartilhamento de fotos pelo Instagram que impactaram negativamente na autoimagem. Sendo demasiado notável recordar que na citada rede, há uma intensa abundância de uma mídia que molda padrões de beleza utópicos geralmente eurocêntricos que não consideram as infinitas diversidades étnicas humanas. Demonstrando também, uma não valorização do corpo, mas a imagem do mesmo. Consoante com a filósofa Viviane Mosé, a tortura física e emocional a que muitas pessoas se submetem para entrar em um padrão não é a valorização do corpo.
Ademais, as redes sociais são verdadeiras fontes de vícios, visto que seu uso, em abundância, causa um bombardeio químico nas mesmas regiões do cérebro de dependentes químicos. No ambiente virtual, observa-se uma alta centralização no “eu”. Quando as pessoas falam de si próprias e recebem engajamento rápido, os centros de recompensa do cérebro são ativados pelos altos níveis de dopamina e ocitocina. Em média, as pessoas acabam falando duas vezes mais de si na internet que presencialmente, isto é, uma comtemplação ao egocentrismo e à vaidade.
Em virtude dos aspectos supracitados, as pessoas que são afetadas pela “Ditadura da Beleza”, imposta pela sociedade de mercado, e pelos problemas neuropsicológicos causados pela dependência química de “likes”, devem se libertar deste gênio maligno que pode fazê-las acreditar no irreal, concomitantemente os Ministérios da Educação e da Saúde, juntamente com as secretarias municipais, devem atuar a fim de “Tirar o ópio” do povo acerca dos males da padronização estética, concretizando tal feito por meio campanhas educativas, panfletos e na discussão do tema nas escolas.